E.S.E. Cap. XVIII – Muitos Os Chamados, Poucos Os Escolhidos
Parábola do festim de bodas - itens 1 e 2
1. Falando ainda por parábolas, disse-lhes Jesus: “O reino dos céus se assemelha a um rei que, querendo festejar as bodas de seu filho, despachou seus servos a chamar para as bodas os que tinham sido convidados; estes, porém, recusa-ram ir. O rei despachou outros servos com ordem de dizer da sua parte aos convidados: ‘Preparei o meu jantar; mandei matar os meus bois e todos os meus cevados; tudo está pronto; vinde às bodas’. Eles, porém, sem se incomodarem com isso, lá se foram, um para a sua casa de campo, outro para o seu negócio. Os outros pegaram dos servos e os mataram, depois de lhes haverem feito muitos ultrajes. Sabendo disso, o rei se tomou de cólera e, mandando contra eles seus exércitos, exterminou os assassinos e lhes queimou a cidade. Então, disse a seus servos: ‘O festim das bodas está inteiramente preparado; mas, os que para ele foram chamados não eram dignos dele. Ide, pois, às encruzilhadas e chamai para as bodas todos quantos encontrardes’. Os servos então saíram pelas ruas e trouxeram todos os que iam encontrando, bons e maus; a sala das bodas se encheu de pessoas que se puseram à mesa. Entrou, em seguida, o rei para ver os que estavam à mesa, e, dando com um homem que não vestia a túnica nupcial disse-lhe: ‘Meu amigo, como entraste aqui sem a túnica nupcial?’ O homem guar-dou silêncio. Então, disse o rei à sua gente: ‘Atai-lhe as mãos e os pés e lançai-o nas trevas exteriores: aí é que haverá prantos e ranger de dentes’. Porquanto, muitos há chamados, mas poucos escolhidos”.
(MATEUS, 22:1 a 14)
2. O incrédulo sorri a esta parábola, que lhe parece de pueril ingenuidade, por não compreender que se possa opor tanta dificuldade para assistir a um festim e, ainda menos, que convidados levem a resistência a ponto de massacrarem os enviados do dono da casa. “As parábolas”, diz ele, o incré-dulo, “são, sem dúvida, imagens; mas, ainda assim, mister se torna que não ultrapassem os limites do verossímil”.
Outro tanto pode ser dito de todas as alegorias, das mais engenhosas fábulas, se não lhes forem tirados os res-pectivos envoltórios, para ser achado o sentido oculto. Jesus compunha as suas com os hábitos mais vulgares da vida e as adaptava aos costumes e ao caráter do povo a quem falava. A maioria delas tinha por objeto fazer penetrar nas massas populares a idéia da vida espiritual, parecendo muitas ininteligíveis, quanto ao sentido, apenas por não se colocarem neste ponto de vista os que as interpretam.
Na de que tratamos, Jesus compara o reino dos Céus, onde tudo é alegria e ventura, a um festim. Falando dos primeiros convidados, alude aos hebreus, que foram os primeiros chamados por Deus ao conhecimento da sua Lei. Os enviados do rei são os profetas que os vinham exortar a seguir a trilha da verdadeira felicidade; suas palavras, porém, quase não eram escutadas; suas advertências eram desprezadas; muitos foram mesmo massacrados, como os servos da parábola. Os convidados que se escusam, pretextando terem de ir cuidar de seus campos e de seus negócios, simbolizam as pessoas mundanas que, absorvidas pelas coisas terrenas, se conservam indiferentes às coisas celestes.
Era crença comum aos judeus de então que a nação deles tinha de alcançar supremacia sobre todas as outras. Deus, com efeito, não prometera a Abraão que a sua posteridade cobriria toda a Terra? Mas, como sempre, atendo-se à forma, sem atentarem ao fundo, eles acreditavam tratar-se de uma dominação efetiva e material.
Antes da vinda do Cristo, com exceção dos hebreus, todos os povos eram idólatras e politeístas. Se alguns homens superiores ao vulgo conceberam a idéia da unidade de Deus, essa idéia permaneceu no estado de siste-ma pessoal, em parte nenhuma foi aceita como verdade fundamental, a não ser por alguns iniciados que ocultavam seus conhecimentos sob um véu de mistério, impenetrável para as massas populares. Os hebreus foram os primeiros a praticar publicamente o monoteísmo; é a eles que Deus transmite a sua lei, primeiramente por via de Moisés, depois por intermédio de Jesus. Foi daquele pequenino foco que partiu a luz destinada a espargir-se pelo mundo inteiro, a triunfar do paganismo e a dar a Abraão uma posteridade espiritual “tão numerosa quanto as estrelas do firmamento”. Entretanto, abandonando de todo a idolatria, os judeus desprezaram a lei moral, para se aferrarem ao mais fácil: a prática do culto exterior. O mal chegara ao cúmulo; a nação, além de escravizada, era esfacelada pelas facções e dividida pelas seitas; a incredulidade atingira mesmo o santuário. Foi então que apareceu Jesus, enviado para os chamar à observância da Lei e para lhes rasgar os horizontes novos da vida futura. Dos primeiros a ser convidados para o grande banquete da fé universal, eles repeliram a palavra do Messias celeste e o imolaram. Perde-ram assim o fruto que teriam colhido da iniciativa que lhes coubera.
Fora, contudo, injusto acusar-se o povo inteiro de tal estado de coisas. A responsabilidade tocava principal-mente aos fariseus e saduceus, que sacrificaram a nação por efeito do orgulho e do fanatismo de uns e pela incredulidade dos outros. São, pois, eles, sobretudo, que Jesus identifica nos convidados que recusam comparecer ao festim das bodas. Depois, acrescenta: “Vendo isso, o Senhor mandou convidar a todos os que fossem encontrados nas encruzilhadas, bons e maus.” Queria dizer desse modo que a palavra ia ser pregada a todos os outros povos, pagãos e idólatras, e estes, acolhendo-a, seriam admitidos ao festim, em lugar dos primeiros convidados.
Mas não basta a ninguém ser convidado; não basta dizer-se cristão, nem sentar-se à mesa para tomar parte no banquete celestial. É preciso, antes de tudo e sob condição expressa, estar revestido da túnica nupcial, isto é, ter puro o coração e cumprir a lei segundo o espírito. Ora, a lei toda se contém nestas palavras: Fora da caridade não há salvação. Entre todos, porém, que ouvem a palavra divina, quão poucos são os que a guardam e a aplicam proveitosamente! Quão poucos se tornam dignos de entrar no reino dos céus! Eis por que disse Jesus: Chamados haverá muitos; poucos, no entanto, serão os escolhidos.
L.E. Introdução ao estudo da doutrina Espírita
Item 16
XVI
Resta-nos ainda examinar duas objeções, únicas que real-mente merecem este nome, porque se baseiam em teorias racionais. Ambas admitem a realidade de todos os fenôme-nos materiais e morais, mas excluem a intervenção dos Espíritos.
Segundo a primeira dessas teorias, todas as manifestações atribuídas aos Espíritos não seriam mais do que efeitos magnéticos. Os médiuns se achariam num estado a que se poderia chamar sonambulismo desperto, fenômeno de que podem dar testemunho todos os que hão estudado o magnetismo. Nesse estado, as faculdades intelectuais adquirem um desenvolvimento anormal; o círculo das operações intuitivas se amplia para além das raias da nossa concepção ordinária. Assim sendo, o médium tiraria de si mesmo e por efeito da sua lucidez tudo o que diz e todas as noções que transmite, mesmo sobre os assuntos que mais estranhos lhe sejam, quando no estado habitual.
Não seremos nós quem conteste o poder do sonambulismo, cujos prodígios observamos, estudando-lhe todas as fases durante mais de trinta e cinco anos. Concordamos em que, efetivamente, muitas manifestações espíritas são explicáveis por esse meio. Contudo, uma observação cuidadosa e prolongada mostra grande cópia de fatos em que a intervenção do médium, a não ser como instrumento passivo, é materialmente impossível. Aos que partilham dessa opinião, como aos outros, diremos: “Vede e observai, porque certamente ainda não vistes tudo.” Opor-lhes-emos, em seguida, duas considerações tiradas da própria doutrina deles. Donde veio a teoria espírita? É um sistema imaginado por alguns homens para explicar os fatos? De modo algum. Quem então a revelou? Precisamente esses mesmos médiuns cuja lucidez exaltais. Ora, se essa lucidez é tal como a supondes, por que teriam eles atribuído aos Espíritos o que em si mesmos hauriam? Como teriam dado, sobre a natureza dessas inteligências extra-humanas, as informações precisas, lógicas e tão sublimes, que conhecemos? Uma de duas: ou eles são lúcidos, ou não o são. Se o são e se pode confiar na sua veracidade, não haveria meio de admitir-se, sem contradição, que não estejam com a verdade. Em segundo lugar, se todos os fenômenos promanassem do médium, seriam sempre idênti-cos num determinado indivíduo; jamais se veria a mesma pessoa usar de uma linguagem disparatada, nem exprimir alternativamente as coisas mais contraditórias. Esta falta de unidade nas manifestações obtidas pelo mesmo médium prova a diversidade das fontes. Ora, desde que não as pode-mos encontrar todas nele, forçoso é que as procuremos fora dele.
Segundo outra opinião, o médium é a única fonte produtora de todas as manifestações; mas, em vez de extraí-las de si mesmo, como o pretendem os partidários da teoria sonambúlica, ele as toma ao meio ambiente. O médium será então uma espécie de espelho a refletir todas as idéias, todos os pensamentos e todos os conhecimentos das pessoas que o cercam; nada diria que não fosse conhecido, pelo menos, de algumas destas. Não é lícito negar-se, e isso constitui mesmo um princípio da doutrina, a influência que os assistentes exercem sobre a natureza das manifestações. Esta influência, no entanto, difere muito da que supõem existir, e, dela à que faria do médium um eco dos pensamentos daqueles que o rodeiam, vai grande distância, porquanto milhares de fatos demonstram o contrário. Há, pois, nessa maneira de pensar, grave erro, que uma vez mais prova o perigo das conclusões prematuras. Sendo-lhes impossível negar a realidade de um fenômeno que a ciência vulgar não pode explicar e não querendo admitir a presença dos Espíritos, os que assim opinam o explicam a seu modo. Seria especiosa a teoria que sustentam, se pudesse abranger todos os fatos. Tal, entretanto, não se dá. Quando se lhes demonstra, até à evidência, que certas comunicações do médium são completamente estranhas aos pensamentos, aos conhecimentos, às opiniões mesmo de todos os assistentes, que essas comunicações freqüentemente são espontâneas e contradizem todas as idéias preconcebidas, ah! Eles não se embaraçam com tão pouca coisa. Res-pondem que a irradiação vai muito além do círculo imediato que nos envolve; o médium é o reflexo de toda a Humanidade, de tal sorte que, se as inspirações não lhe vêm dos que se acham a seu lado, ele as vai beber fora, na cidade, no país, em todo o globo e até nas outras esferas.
Não me parece que em semelhante teoria se encontre expli-cação mais simples e mais provável que a do Espiritismo, visto que ela se baseia numa causa bem mais maravilhosa. A idéia de que seres que povoam os espaços e que, em contacto conosco, nos comunicam seus pensamentos, nada tem que choque mais a razão do que a suposição dessa irradiação universal, vindo, de todos os pontos do Universo, concentrar-se no cérebro de um indivíduo.
Ainda uma vez, e este é ponto capital sobre que nunca insis-tiremos bastante: a teoria sonambúlica e a que se poderia chamar refletiva foram imaginadas por alguns homens; são opiniões individuais, criadas para explicar um fato, ao passo que a Doutrina dos Espíritos não é de concepção humana. Foi ditada pelas próprias inteligências que se manifestam, quando ninguém disso cogitava, quando até a opinião geral a repelia. Ora, perguntamos, onde foram os médiuns beber uma doutrina que não passava pelo pensamento de ninguém na Terra? Perguntamos ainda mais: por que estranha coincidência milhares de médiuns espalhados por todos os pontos do globo terráqueo, e que jamais se viram, acordaram em dizer a mesma coisa? Se o primeiro médium que apareceu na França sofreu a influência de opiniões já aceitas na América, por que singularidade foi ele buscá-las a 2.000 léguas além-mar e no seio de um povo tão diferente pelos costumes e pela linguagem, em vez de as tomar ao seu derredor?
VINHA DE LUZ
61 – Também tu
“E os principais dos sacerdotes tomaram a deliberação de matar também a Lázaro.”
— João, 12:10
Interessante observar as cogitações do farisaísmo, relativamente a Lázaro, nas horas supremas de Jesus.
Não bastava a crucificação do Mestre.
Intentava-se, igualmente, a morte do amigo de Betânia.
Lázaro fora cadáver e revivera, sepultara-se nas trevas do túmulo e regressara à luz da vida. Era, por isso, uma glorificação permanente do Salvador, uma cura inso-fismável do Médico Divino. Constituiria em Jerusalém a carta viva do poder do Cristo, destoava dos conterrâneos, tornara-se diferente.
Considerava-se, portanto, indispensável a destrui-ção dele.
O farisaísmo dos velhos tempos ainda é o mesmo nos dias que passam, apenas com a diferença de que Jerusalém é a civilização inteira. Para ele, o Mestre deve continuar crucificado e todos os Lázaros ressurgirão sentenciados à morte.
Qualquer homem, renovado em Cristo, incomoda-o.
Há participantes do Evangelho que se sentem ver-dadeiramente ressuscitados, trazidos à claridade da fé, após atravessarem o sepulcro do ódio, do crime, da indiferença...
O farisaísmo, entretanto, não lhes tolera a condição de redivivos, a demonstrarem a grandeza do Mestre. Instala perseguições, desclassifica-os na convenção puramente humana, tenta anular-lhes a ação em todos os setores da experiência.
Somente os Lázaros que se unam ao amor de Jesus conseguem vencer o terrível assédio da ignorância.
Tem, pois, cuidado contigo mesmo.
Se te sentes trazido da sombra para a luz, do mal para o bem, ao sublime influxo do Senhor, recorda que o farisaísmo, visível e invisível, obedecendo a impulsos de ordem inferior, ainda está trabalhando contra o valor de tua fé e contra a força de teu ideal.
Não bastou a crucificação do Mestre.
Também tu conhecerás o testemunho.
L.M. Parte II – Das manifestações espíritas
Cap. XI – Da Sematologia e da Tiptologia - itens 139 a 142
139. As primeiras comunicações inteligentes foram obtidas por meio de pancadas, ou da tiptologia. Muito limitados eram os recursos que oferecia esse meio primitivo, que se ressentia de estar na infância a arte, tudo se reduzindo, nas comunicações, a respostas monossilábicas, por — sim, ou — não, mediante convencionado número de pancadas. Mais tarde, foi aperfeiçoado, como já dissemos. De duas maneiras se obtêm as pancadas, com médiuns especiais. Esse modo de operar demanda certa aptidão para as manifestações físicas. A primeira, a que se poderia chamar tiptologia por meio de básculo, consiste no movimento da mesa, que se levanta de um só lado e cai batendo com um dos pés. Basta para isso que o médium lhe ponha a mão na borda. Se quiser confabular com determinado Espírito, será necessário evocá-lo. No caso contrário, manifesta-se o primeiro que chegue, ou o que tenha o costume de apresentar-se. Tendo convencionado, por exemplo — que uma pancada significará — sim e duas pancadas — não, ou vice-versa, indiferentemente, o experimentador dirigirá ao Espírito as perguntas que quiser. Veremos adiante quais as de que cumpre se abstenha. O inconveniente está na brevidade das respostas e na dificuldade de formular a pergunta de modo a dar lugar a um sim, ou a um não. Su-ponhamos se pergunte ao Espírito: que desejas? Ele não poderá responder senão com uma frase. Será preciso então dizer: desejas isto? Não. — Aquilo? Sim. Assim por diante.
140. É de notar-se que, quando se emprega esse meio, o Espírito usa também de uma espécie de mímica , isto é, exprime a energia da afirmação ou da negação pela força das pancadas. Também exprime a natureza dos sentimentos que o animam: a violência, pela brusquidão dos movimentos; a cólera e a impaciência, batendo repetidamente fortes pancadas, como uma pessoa que bate arrebatadamente com os pés, chegando às vezes a atirar ao chão a mesa. Se é amável e delicado, inclina, no começo e no fim da sessão, a mesa, à guisa de saudação. Se quer dirigir-se diretamente a um dos assistentes, para ele encaminha a mesa com brandura, ou violência, conforme deseje testemunhar-lhe afeição, ou antipatia. Essa, propriamente falando, a sematologia , ou linguagem dos sinais como a tiptologia é a linguagem das pancadas. Eis aqui um exemplo notável do emprego espontâneo da sematologia.
Um dia, na sua sala de visitas, onde muitas pessoas se ocupavam com as manifestações, um senhor do nosso conhecimento recebeu uma carta nossa. Enquanto a lia, a mesa que servia para as experiências veio repentinamente colocar-se-lhe ao lado. Concluída a leitura da carta, ele a foi colocar sobre uma outra mesa, do lado oposto da sala. Aquela mesa o acompanhou e se dirigiu para onde estava a carta. Surpreendido com essa coincidência, calculou o desti-natário da carta que entre esta e aquele movimento alguma relação havia e interrogou a respeito o Espírito, que respondeu ser o nosso Espírito familiar. Informado do ocorrido, perguntamos, por nossa vez, a esse Espírito qual o motivo da visita que fizera àquele senhor. A resposta foi: “É natural que eu visite as pessoas com que te achas em relações, a fim de poder, se for preciso, dar-te, assim como a elas, os avisos necessários.”
É, pois, evidente que o Espírito quisera chamar a atenção da pessoa a quem nos referimos e procurava uma ocasião de cientificá-la de que estava lá. Um mudo não se houvera conduzido melhor.
141. Não tardou que a tiptologia se aperfeiçoasse e enrique-cesse com um meio de comunicação mais completo, o da tiptologia alfabética , que consiste em serem as letras do alfabeto indicadas por pancadas. Podem obter-se então palavras, frases e até discursos inteiros. De acordo com o método adotado, a mesa dará tantas pancadas quantas forem necessárias para indicar cada letra, isto é, uma pancada para o a , duas pancadas para o b, e assim por diante. Enquanto isto, uma pessoa irá escrevendo as letras, à medida que forem sendo designadas. O Espírito faz sentir que terminou, usando de um sinal que se haja convencionado.
Como se vê, este modo de operar é muito lento e consome longo tempo para as comunicações de certa exten-são. Entretanto, pessoas há que têm tido a paciência de se utilizarem dele, para obter ditados de muitas páginas. Porém, a prática levou à descoberta de abreviaturas, que permitiram trabalhar-se com maior rapidez. A de uso mais freqüente consiste em colocar o experimentador, diante de si, um alfabeto e a série dos algarismos indicadores das unidades. Estando o médium à mesa, uma outra pessoa percorre sucessivamente as letras do alfabeto, se trata de obter uma palavra, ou a série dos algarismos, se de um nú-mero. Apontada a letra que serve, a mesa, por si mesma, bate uma pancada e escreve-se a letra. Recomeça-se a operação para obter-se a segunda, depois a terceira letra e assim sucessivamente. Se tiver havido engano em alguma letra, o Espírito previne, fazendo a mesa dar repetidas pancadas, ou produzir um movimento especial, e recomeça-se. Com o hábito, chega-se a andar bem depressa. Mas, adivinhando o fim de uma palavra começada e com a qual se pode atinar pelo sentido da frase, é como, sobretudo, se consegue abreviar de muito a comunicação. Em havendo incerteza, pergunta-se ao Espírito se foi esta ou aquela palavra a que ele quis empregar e o Espírito responde sim, ou não.
142. Todos os efeitos que acabamos de indicar podem obter-se de maneira ainda mais simples, por meio de pancadas produzidas na própria madeira da mesa, sem nenhuma espécie de movimento, processo que já descrevemos no capítulo das manifestações físicas, número 64. É a tiptologia interior . Nem todos os médiuns são igualmente aptos às manifestações deste último gênero. Muitos há que só obtêm as pancadas pelo movimento basculatório da mesa. Contudo, exercitando-se, podem eles, em sua maioria, chegar a consegui-las daquela maneira, que tem a dupla vantagem de ser mais rápida e de oferecer menos azo à suspeita do que o básculo, que se pode atribuir a uma pressão voluntária. Verdade é que as pancadas no interior da madeira também podem ser imitadas por médiuns de má fé. As melhores coisas podem ser simuladas, o que, aliás, nada prova contra elas. (Veja-se, no fim deste volume, o capítulo intitulado: Fraudes e embustes.)
Quaisquer, porém, que sejam os aperfeiçoamentos que se possam introduzir nessa maneira de proceder, jamais se conseguirá fazê-la alcançar a rapidez e a facilidade que apresenta a escrita, razão por que, presentemente, já é pouco empregada. Ela, no entanto, é, às vezes, interessantíssima, do ponto de vista do fenômeno, sobretudo para os novatos, e tem, principalmente, a vantagem de provar, de forma peremptória, a absoluta independência do pensamento do médium. Assim se obtêm, não raro, respostas tão imprevistas, de tão flagrantes a propósito, que só uma prevenção bastante determinada será capaz de impedir que os assistentes se rendam à evidência. Daí vem que esse processo constitui, para muitas pessoas, forte motivo de convicção. Mas, seja ele o empregado, seja qualquer outro, em caso algum os Espíritos se mostram dispostos a prestar-se aos caprichos dos curiosos, que pretendam experimentá-los por meio de questões despropositadas.
CAMINHO, VERDADE E VIDA
61 – Ministérios
“Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.”
— 1ª Epístola a Pedro, 4:10
Toda criatura recebe do Supremo Senhor o dom de servir como um ministério essencialmente divino.
Se o homem levanta tantos problemas de solução difícil, em suas lutas sociais, é que não se capacitou, ainda, de tão elevado ensinamento.
O quadro da evolução terrestre apresenta divisão entre os que denominais “magnatas” e “proletários”, por-quanto, de modo geral, não se entendeu até agora no mundo a dignidade do trabalho honesto, por mais humilde que seja.
É imprescindível haja sempre profissionais de lim-peza pública, desbravadores de terras insalubres, chefes de fábricas, trabalhadores de imprensa.
Os homens não compreenderam, ainda, que a oportunidade de cooperar nos trabalhos da Terra transforma-os em despenseiros da graça de Deus. Chegará, contudo, a época em que todos se sentirão ricos. A noção de “capitalista” e “operário” estará renovada. Entender-se-ão ambos como eficiente servidores do Altíssimo.
O jardineiro sentirá que o seu ministério é irmão da tarefa confiada ao gerente da usina.
Cada qual ministrará os bens recebidos do Pai, na sua própria esfera de ação, sem a idéia egoística de ganhar para enriquecer na Terra, mas de servir com proveito para enriquecer em Deus.
* Referências identificadas na leitura do dia
1. Sematologia:
Sematologia [do grego sema, semato = sinal + logos = discurso] – Termo cunhado por Benjamin Humphrey Smart e pela primeira vez mencionado em seu livro "Outline of Sematology" (Esboço da Sematologia), publicado em 1831, para designar a "doutrina dos símbolos como expressão do pensamento ou do raciocínio; a ciência de indicar o pensamento por símbolos", sendo essa a definição do termo nos principais dicionários de língua inglesa, como o Webster e o Oxford.
Seguindo-se essa definição que, se há de convir, é bastante ampla, enquadram-se como classes de sematologia, entre outras, a linguagem de sinais e a mímica, tanto a utilizada em espetáculos como a que se usa na diversão que leva esse nome.
Uso do Termo na Doutrina Espírita:
O termo sematologia é utilizado na Doutrina Espírita para designar a transmissão do pensamento dos espíritos por meio de sinais, tais como ruídos, batidas, movimento de objetos, etc. Em se tratando da sematologia por meio de batidas, é usado o termo tiptologia.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sematologia
2. Tiptologia:
s.f. No espiritismo, comunicação dos espíritos por meio de pancadas, ou pelo movimento de mesas giratórias. Fonte: http://www.kinghost.com.br/vocabulario/tiptologia.html
Tiptologia é a forma de Comunicação obtida pela sucessão de pancadas ou batidas curtas feitas em algum material rígido, usualmente madeira, produzindo ruídos. Trata-se, pois, de uma forma de Sematologia.
Na história do Espiritualismo e do Espiritismo, a tiptologia foi o meio utilizado nas primeiras comunicações entre os mortos (espíritos desencarnados) e os vivos (espíritos encarnados), no episódio protagonizado pelas Irmãs Fox em Hydesville, nos Estados Unidos da América, em 31 de março de 1848. Nesse episódio registrou-se a utilização da forma mais simples de tiptologia, ou seja, uma combinação, entre as duas partes comunicantes, em que certa quantidade de pancadas significaria "Sim" e outra quantidade, "Não". Logo, essa forma simples de comunicação evoluiu para uma forma mais elaborada, a chamada tiptologia alfabética, na qual a quantidade de pancadas significava uma determi-nada letra do alfabeto ou determinado algarismo, conforme combinação prévia entre as duas partes comunicantes.
A tiptologia na Codificação Espírita
A tiptologia é analisada de forma detalhada por Kardec no Capítulo XI de O Livro dos Médiuns, cujo título é "Da Sematologia e da Tiptologia". Este tema é de extrema importância para a Doutrina Espírita, pois foi por meio da manifestação e divulgação desse fenômeno nos Estados Unidos da América que se popularizaram os fenômenos espiritistas nos salões da Europa, permitindo ao professor Rivail, na França, iniciar os estudos que culminar na codificação da Doutrina Espírita, sob o pseudônimo de Allan Kardec.
Parábola do festim de bodas - itens 1 e 2
1. Falando ainda por parábolas, disse-lhes Jesus: “O reino dos céus se assemelha a um rei que, querendo festejar as bodas de seu filho, despachou seus servos a chamar para as bodas os que tinham sido convidados; estes, porém, recusa-ram ir. O rei despachou outros servos com ordem de dizer da sua parte aos convidados: ‘Preparei o meu jantar; mandei matar os meus bois e todos os meus cevados; tudo está pronto; vinde às bodas’. Eles, porém, sem se incomodarem com isso, lá se foram, um para a sua casa de campo, outro para o seu negócio. Os outros pegaram dos servos e os mataram, depois de lhes haverem feito muitos ultrajes. Sabendo disso, o rei se tomou de cólera e, mandando contra eles seus exércitos, exterminou os assassinos e lhes queimou a cidade. Então, disse a seus servos: ‘O festim das bodas está inteiramente preparado; mas, os que para ele foram chamados não eram dignos dele. Ide, pois, às encruzilhadas e chamai para as bodas todos quantos encontrardes’. Os servos então saíram pelas ruas e trouxeram todos os que iam encontrando, bons e maus; a sala das bodas se encheu de pessoas que se puseram à mesa. Entrou, em seguida, o rei para ver os que estavam à mesa, e, dando com um homem que não vestia a túnica nupcial disse-lhe: ‘Meu amigo, como entraste aqui sem a túnica nupcial?’ O homem guar-dou silêncio. Então, disse o rei à sua gente: ‘Atai-lhe as mãos e os pés e lançai-o nas trevas exteriores: aí é que haverá prantos e ranger de dentes’. Porquanto, muitos há chamados, mas poucos escolhidos”.
(MATEUS, 22:1 a 14)
2. O incrédulo sorri a esta parábola, que lhe parece de pueril ingenuidade, por não compreender que se possa opor tanta dificuldade para assistir a um festim e, ainda menos, que convidados levem a resistência a ponto de massacrarem os enviados do dono da casa. “As parábolas”, diz ele, o incré-dulo, “são, sem dúvida, imagens; mas, ainda assim, mister se torna que não ultrapassem os limites do verossímil”.
Outro tanto pode ser dito de todas as alegorias, das mais engenhosas fábulas, se não lhes forem tirados os res-pectivos envoltórios, para ser achado o sentido oculto. Jesus compunha as suas com os hábitos mais vulgares da vida e as adaptava aos costumes e ao caráter do povo a quem falava. A maioria delas tinha por objeto fazer penetrar nas massas populares a idéia da vida espiritual, parecendo muitas ininteligíveis, quanto ao sentido, apenas por não se colocarem neste ponto de vista os que as interpretam.
Na de que tratamos, Jesus compara o reino dos Céus, onde tudo é alegria e ventura, a um festim. Falando dos primeiros convidados, alude aos hebreus, que foram os primeiros chamados por Deus ao conhecimento da sua Lei. Os enviados do rei são os profetas que os vinham exortar a seguir a trilha da verdadeira felicidade; suas palavras, porém, quase não eram escutadas; suas advertências eram desprezadas; muitos foram mesmo massacrados, como os servos da parábola. Os convidados que se escusam, pretextando terem de ir cuidar de seus campos e de seus negócios, simbolizam as pessoas mundanas que, absorvidas pelas coisas terrenas, se conservam indiferentes às coisas celestes.
Era crença comum aos judeus de então que a nação deles tinha de alcançar supremacia sobre todas as outras. Deus, com efeito, não prometera a Abraão que a sua posteridade cobriria toda a Terra? Mas, como sempre, atendo-se à forma, sem atentarem ao fundo, eles acreditavam tratar-se de uma dominação efetiva e material.
Antes da vinda do Cristo, com exceção dos hebreus, todos os povos eram idólatras e politeístas. Se alguns homens superiores ao vulgo conceberam a idéia da unidade de Deus, essa idéia permaneceu no estado de siste-ma pessoal, em parte nenhuma foi aceita como verdade fundamental, a não ser por alguns iniciados que ocultavam seus conhecimentos sob um véu de mistério, impenetrável para as massas populares. Os hebreus foram os primeiros a praticar publicamente o monoteísmo; é a eles que Deus transmite a sua lei, primeiramente por via de Moisés, depois por intermédio de Jesus. Foi daquele pequenino foco que partiu a luz destinada a espargir-se pelo mundo inteiro, a triunfar do paganismo e a dar a Abraão uma posteridade espiritual “tão numerosa quanto as estrelas do firmamento”. Entretanto, abandonando de todo a idolatria, os judeus desprezaram a lei moral, para se aferrarem ao mais fácil: a prática do culto exterior. O mal chegara ao cúmulo; a nação, além de escravizada, era esfacelada pelas facções e dividida pelas seitas; a incredulidade atingira mesmo o santuário. Foi então que apareceu Jesus, enviado para os chamar à observância da Lei e para lhes rasgar os horizontes novos da vida futura. Dos primeiros a ser convidados para o grande banquete da fé universal, eles repeliram a palavra do Messias celeste e o imolaram. Perde-ram assim o fruto que teriam colhido da iniciativa que lhes coubera.
Fora, contudo, injusto acusar-se o povo inteiro de tal estado de coisas. A responsabilidade tocava principal-mente aos fariseus e saduceus, que sacrificaram a nação por efeito do orgulho e do fanatismo de uns e pela incredulidade dos outros. São, pois, eles, sobretudo, que Jesus identifica nos convidados que recusam comparecer ao festim das bodas. Depois, acrescenta: “Vendo isso, o Senhor mandou convidar a todos os que fossem encontrados nas encruzilhadas, bons e maus.” Queria dizer desse modo que a palavra ia ser pregada a todos os outros povos, pagãos e idólatras, e estes, acolhendo-a, seriam admitidos ao festim, em lugar dos primeiros convidados.
Mas não basta a ninguém ser convidado; não basta dizer-se cristão, nem sentar-se à mesa para tomar parte no banquete celestial. É preciso, antes de tudo e sob condição expressa, estar revestido da túnica nupcial, isto é, ter puro o coração e cumprir a lei segundo o espírito. Ora, a lei toda se contém nestas palavras: Fora da caridade não há salvação. Entre todos, porém, que ouvem a palavra divina, quão poucos são os que a guardam e a aplicam proveitosamente! Quão poucos se tornam dignos de entrar no reino dos céus! Eis por que disse Jesus: Chamados haverá muitos; poucos, no entanto, serão os escolhidos.
L.E. Introdução ao estudo da doutrina Espírita
Item 16
XVI
Resta-nos ainda examinar duas objeções, únicas que real-mente merecem este nome, porque se baseiam em teorias racionais. Ambas admitem a realidade de todos os fenôme-nos materiais e morais, mas excluem a intervenção dos Espíritos.
Segundo a primeira dessas teorias, todas as manifestações atribuídas aos Espíritos não seriam mais do que efeitos magnéticos. Os médiuns se achariam num estado a que se poderia chamar sonambulismo desperto, fenômeno de que podem dar testemunho todos os que hão estudado o magnetismo. Nesse estado, as faculdades intelectuais adquirem um desenvolvimento anormal; o círculo das operações intuitivas se amplia para além das raias da nossa concepção ordinária. Assim sendo, o médium tiraria de si mesmo e por efeito da sua lucidez tudo o que diz e todas as noções que transmite, mesmo sobre os assuntos que mais estranhos lhe sejam, quando no estado habitual.
Não seremos nós quem conteste o poder do sonambulismo, cujos prodígios observamos, estudando-lhe todas as fases durante mais de trinta e cinco anos. Concordamos em que, efetivamente, muitas manifestações espíritas são explicáveis por esse meio. Contudo, uma observação cuidadosa e prolongada mostra grande cópia de fatos em que a intervenção do médium, a não ser como instrumento passivo, é materialmente impossível. Aos que partilham dessa opinião, como aos outros, diremos: “Vede e observai, porque certamente ainda não vistes tudo.” Opor-lhes-emos, em seguida, duas considerações tiradas da própria doutrina deles. Donde veio a teoria espírita? É um sistema imaginado por alguns homens para explicar os fatos? De modo algum. Quem então a revelou? Precisamente esses mesmos médiuns cuja lucidez exaltais. Ora, se essa lucidez é tal como a supondes, por que teriam eles atribuído aos Espíritos o que em si mesmos hauriam? Como teriam dado, sobre a natureza dessas inteligências extra-humanas, as informações precisas, lógicas e tão sublimes, que conhecemos? Uma de duas: ou eles são lúcidos, ou não o são. Se o são e se pode confiar na sua veracidade, não haveria meio de admitir-se, sem contradição, que não estejam com a verdade. Em segundo lugar, se todos os fenômenos promanassem do médium, seriam sempre idênti-cos num determinado indivíduo; jamais se veria a mesma pessoa usar de uma linguagem disparatada, nem exprimir alternativamente as coisas mais contraditórias. Esta falta de unidade nas manifestações obtidas pelo mesmo médium prova a diversidade das fontes. Ora, desde que não as pode-mos encontrar todas nele, forçoso é que as procuremos fora dele.
Segundo outra opinião, o médium é a única fonte produtora de todas as manifestações; mas, em vez de extraí-las de si mesmo, como o pretendem os partidários da teoria sonambúlica, ele as toma ao meio ambiente. O médium será então uma espécie de espelho a refletir todas as idéias, todos os pensamentos e todos os conhecimentos das pessoas que o cercam; nada diria que não fosse conhecido, pelo menos, de algumas destas. Não é lícito negar-se, e isso constitui mesmo um princípio da doutrina, a influência que os assistentes exercem sobre a natureza das manifestações. Esta influência, no entanto, difere muito da que supõem existir, e, dela à que faria do médium um eco dos pensamentos daqueles que o rodeiam, vai grande distância, porquanto milhares de fatos demonstram o contrário. Há, pois, nessa maneira de pensar, grave erro, que uma vez mais prova o perigo das conclusões prematuras. Sendo-lhes impossível negar a realidade de um fenômeno que a ciência vulgar não pode explicar e não querendo admitir a presença dos Espíritos, os que assim opinam o explicam a seu modo. Seria especiosa a teoria que sustentam, se pudesse abranger todos os fatos. Tal, entretanto, não se dá. Quando se lhes demonstra, até à evidência, que certas comunicações do médium são completamente estranhas aos pensamentos, aos conhecimentos, às opiniões mesmo de todos os assistentes, que essas comunicações freqüentemente são espontâneas e contradizem todas as idéias preconcebidas, ah! Eles não se embaraçam com tão pouca coisa. Res-pondem que a irradiação vai muito além do círculo imediato que nos envolve; o médium é o reflexo de toda a Humanidade, de tal sorte que, se as inspirações não lhe vêm dos que se acham a seu lado, ele as vai beber fora, na cidade, no país, em todo o globo e até nas outras esferas.
Não me parece que em semelhante teoria se encontre expli-cação mais simples e mais provável que a do Espiritismo, visto que ela se baseia numa causa bem mais maravilhosa. A idéia de que seres que povoam os espaços e que, em contacto conosco, nos comunicam seus pensamentos, nada tem que choque mais a razão do que a suposição dessa irradiação universal, vindo, de todos os pontos do Universo, concentrar-se no cérebro de um indivíduo.
Ainda uma vez, e este é ponto capital sobre que nunca insis-tiremos bastante: a teoria sonambúlica e a que se poderia chamar refletiva foram imaginadas por alguns homens; são opiniões individuais, criadas para explicar um fato, ao passo que a Doutrina dos Espíritos não é de concepção humana. Foi ditada pelas próprias inteligências que se manifestam, quando ninguém disso cogitava, quando até a opinião geral a repelia. Ora, perguntamos, onde foram os médiuns beber uma doutrina que não passava pelo pensamento de ninguém na Terra? Perguntamos ainda mais: por que estranha coincidência milhares de médiuns espalhados por todos os pontos do globo terráqueo, e que jamais se viram, acordaram em dizer a mesma coisa? Se o primeiro médium que apareceu na França sofreu a influência de opiniões já aceitas na América, por que singularidade foi ele buscá-las a 2.000 léguas além-mar e no seio de um povo tão diferente pelos costumes e pela linguagem, em vez de as tomar ao seu derredor?
VINHA DE LUZ
61 – Também tu
“E os principais dos sacerdotes tomaram a deliberação de matar também a Lázaro.”
— João, 12:10
Interessante observar as cogitações do farisaísmo, relativamente a Lázaro, nas horas supremas de Jesus.
Não bastava a crucificação do Mestre.
Intentava-se, igualmente, a morte do amigo de Betânia.
Lázaro fora cadáver e revivera, sepultara-se nas trevas do túmulo e regressara à luz da vida. Era, por isso, uma glorificação permanente do Salvador, uma cura inso-fismável do Médico Divino. Constituiria em Jerusalém a carta viva do poder do Cristo, destoava dos conterrâneos, tornara-se diferente.
Considerava-se, portanto, indispensável a destrui-ção dele.
O farisaísmo dos velhos tempos ainda é o mesmo nos dias que passam, apenas com a diferença de que Jerusalém é a civilização inteira. Para ele, o Mestre deve continuar crucificado e todos os Lázaros ressurgirão sentenciados à morte.
Qualquer homem, renovado em Cristo, incomoda-o.
Há participantes do Evangelho que se sentem ver-dadeiramente ressuscitados, trazidos à claridade da fé, após atravessarem o sepulcro do ódio, do crime, da indiferença...
O farisaísmo, entretanto, não lhes tolera a condição de redivivos, a demonstrarem a grandeza do Mestre. Instala perseguições, desclassifica-os na convenção puramente humana, tenta anular-lhes a ação em todos os setores da experiência.
Somente os Lázaros que se unam ao amor de Jesus conseguem vencer o terrível assédio da ignorância.
Tem, pois, cuidado contigo mesmo.
Se te sentes trazido da sombra para a luz, do mal para o bem, ao sublime influxo do Senhor, recorda que o farisaísmo, visível e invisível, obedecendo a impulsos de ordem inferior, ainda está trabalhando contra o valor de tua fé e contra a força de teu ideal.
Não bastou a crucificação do Mestre.
Também tu conhecerás o testemunho.
L.M. Parte II – Das manifestações espíritas
Cap. XI – Da Sematologia e da Tiptologia - itens 139 a 142
139. As primeiras comunicações inteligentes foram obtidas por meio de pancadas, ou da tiptologia. Muito limitados eram os recursos que oferecia esse meio primitivo, que se ressentia de estar na infância a arte, tudo se reduzindo, nas comunicações, a respostas monossilábicas, por — sim, ou — não, mediante convencionado número de pancadas. Mais tarde, foi aperfeiçoado, como já dissemos. De duas maneiras se obtêm as pancadas, com médiuns especiais. Esse modo de operar demanda certa aptidão para as manifestações físicas. A primeira, a que se poderia chamar tiptologia por meio de básculo, consiste no movimento da mesa, que se levanta de um só lado e cai batendo com um dos pés. Basta para isso que o médium lhe ponha a mão na borda. Se quiser confabular com determinado Espírito, será necessário evocá-lo. No caso contrário, manifesta-se o primeiro que chegue, ou o que tenha o costume de apresentar-se. Tendo convencionado, por exemplo — que uma pancada significará — sim e duas pancadas — não, ou vice-versa, indiferentemente, o experimentador dirigirá ao Espírito as perguntas que quiser. Veremos adiante quais as de que cumpre se abstenha. O inconveniente está na brevidade das respostas e na dificuldade de formular a pergunta de modo a dar lugar a um sim, ou a um não. Su-ponhamos se pergunte ao Espírito: que desejas? Ele não poderá responder senão com uma frase. Será preciso então dizer: desejas isto? Não. — Aquilo? Sim. Assim por diante.
140. É de notar-se que, quando se emprega esse meio, o Espírito usa também de uma espécie de mímica , isto é, exprime a energia da afirmação ou da negação pela força das pancadas. Também exprime a natureza dos sentimentos que o animam: a violência, pela brusquidão dos movimentos; a cólera e a impaciência, batendo repetidamente fortes pancadas, como uma pessoa que bate arrebatadamente com os pés, chegando às vezes a atirar ao chão a mesa. Se é amável e delicado, inclina, no começo e no fim da sessão, a mesa, à guisa de saudação. Se quer dirigir-se diretamente a um dos assistentes, para ele encaminha a mesa com brandura, ou violência, conforme deseje testemunhar-lhe afeição, ou antipatia. Essa, propriamente falando, a sematologia , ou linguagem dos sinais como a tiptologia é a linguagem das pancadas. Eis aqui um exemplo notável do emprego espontâneo da sematologia.
Um dia, na sua sala de visitas, onde muitas pessoas se ocupavam com as manifestações, um senhor do nosso conhecimento recebeu uma carta nossa. Enquanto a lia, a mesa que servia para as experiências veio repentinamente colocar-se-lhe ao lado. Concluída a leitura da carta, ele a foi colocar sobre uma outra mesa, do lado oposto da sala. Aquela mesa o acompanhou e se dirigiu para onde estava a carta. Surpreendido com essa coincidência, calculou o desti-natário da carta que entre esta e aquele movimento alguma relação havia e interrogou a respeito o Espírito, que respondeu ser o nosso Espírito familiar. Informado do ocorrido, perguntamos, por nossa vez, a esse Espírito qual o motivo da visita que fizera àquele senhor. A resposta foi: “É natural que eu visite as pessoas com que te achas em relações, a fim de poder, se for preciso, dar-te, assim como a elas, os avisos necessários.”
É, pois, evidente que o Espírito quisera chamar a atenção da pessoa a quem nos referimos e procurava uma ocasião de cientificá-la de que estava lá. Um mudo não se houvera conduzido melhor.
141. Não tardou que a tiptologia se aperfeiçoasse e enrique-cesse com um meio de comunicação mais completo, o da tiptologia alfabética , que consiste em serem as letras do alfabeto indicadas por pancadas. Podem obter-se então palavras, frases e até discursos inteiros. De acordo com o método adotado, a mesa dará tantas pancadas quantas forem necessárias para indicar cada letra, isto é, uma pancada para o a , duas pancadas para o b, e assim por diante. Enquanto isto, uma pessoa irá escrevendo as letras, à medida que forem sendo designadas. O Espírito faz sentir que terminou, usando de um sinal que se haja convencionado.
Como se vê, este modo de operar é muito lento e consome longo tempo para as comunicações de certa exten-são. Entretanto, pessoas há que têm tido a paciência de se utilizarem dele, para obter ditados de muitas páginas. Porém, a prática levou à descoberta de abreviaturas, que permitiram trabalhar-se com maior rapidez. A de uso mais freqüente consiste em colocar o experimentador, diante de si, um alfabeto e a série dos algarismos indicadores das unidades. Estando o médium à mesa, uma outra pessoa percorre sucessivamente as letras do alfabeto, se trata de obter uma palavra, ou a série dos algarismos, se de um nú-mero. Apontada a letra que serve, a mesa, por si mesma, bate uma pancada e escreve-se a letra. Recomeça-se a operação para obter-se a segunda, depois a terceira letra e assim sucessivamente. Se tiver havido engano em alguma letra, o Espírito previne, fazendo a mesa dar repetidas pancadas, ou produzir um movimento especial, e recomeça-se. Com o hábito, chega-se a andar bem depressa. Mas, adivinhando o fim de uma palavra começada e com a qual se pode atinar pelo sentido da frase, é como, sobretudo, se consegue abreviar de muito a comunicação. Em havendo incerteza, pergunta-se ao Espírito se foi esta ou aquela palavra a que ele quis empregar e o Espírito responde sim, ou não.
142. Todos os efeitos que acabamos de indicar podem obter-se de maneira ainda mais simples, por meio de pancadas produzidas na própria madeira da mesa, sem nenhuma espécie de movimento, processo que já descrevemos no capítulo das manifestações físicas, número 64. É a tiptologia interior . Nem todos os médiuns são igualmente aptos às manifestações deste último gênero. Muitos há que só obtêm as pancadas pelo movimento basculatório da mesa. Contudo, exercitando-se, podem eles, em sua maioria, chegar a consegui-las daquela maneira, que tem a dupla vantagem de ser mais rápida e de oferecer menos azo à suspeita do que o básculo, que se pode atribuir a uma pressão voluntária. Verdade é que as pancadas no interior da madeira também podem ser imitadas por médiuns de má fé. As melhores coisas podem ser simuladas, o que, aliás, nada prova contra elas. (Veja-se, no fim deste volume, o capítulo intitulado: Fraudes e embustes.)
Quaisquer, porém, que sejam os aperfeiçoamentos que se possam introduzir nessa maneira de proceder, jamais se conseguirá fazê-la alcançar a rapidez e a facilidade que apresenta a escrita, razão por que, presentemente, já é pouco empregada. Ela, no entanto, é, às vezes, interessantíssima, do ponto de vista do fenômeno, sobretudo para os novatos, e tem, principalmente, a vantagem de provar, de forma peremptória, a absoluta independência do pensamento do médium. Assim se obtêm, não raro, respostas tão imprevistas, de tão flagrantes a propósito, que só uma prevenção bastante determinada será capaz de impedir que os assistentes se rendam à evidência. Daí vem que esse processo constitui, para muitas pessoas, forte motivo de convicção. Mas, seja ele o empregado, seja qualquer outro, em caso algum os Espíritos se mostram dispostos a prestar-se aos caprichos dos curiosos, que pretendam experimentá-los por meio de questões despropositadas.
CAMINHO, VERDADE E VIDA
61 – Ministérios
“Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.”
— 1ª Epístola a Pedro, 4:10
Toda criatura recebe do Supremo Senhor o dom de servir como um ministério essencialmente divino.
Se o homem levanta tantos problemas de solução difícil, em suas lutas sociais, é que não se capacitou, ainda, de tão elevado ensinamento.
O quadro da evolução terrestre apresenta divisão entre os que denominais “magnatas” e “proletários”, por-quanto, de modo geral, não se entendeu até agora no mundo a dignidade do trabalho honesto, por mais humilde que seja.
É imprescindível haja sempre profissionais de lim-peza pública, desbravadores de terras insalubres, chefes de fábricas, trabalhadores de imprensa.
Os homens não compreenderam, ainda, que a oportunidade de cooperar nos trabalhos da Terra transforma-os em despenseiros da graça de Deus. Chegará, contudo, a época em que todos se sentirão ricos. A noção de “capitalista” e “operário” estará renovada. Entender-se-ão ambos como eficiente servidores do Altíssimo.
O jardineiro sentirá que o seu ministério é irmão da tarefa confiada ao gerente da usina.
Cada qual ministrará os bens recebidos do Pai, na sua própria esfera de ação, sem a idéia egoística de ganhar para enriquecer na Terra, mas de servir com proveito para enriquecer em Deus.
* Referências identificadas na leitura do dia
1. Sematologia:
Sematologia [do grego sema, semato = sinal + logos = discurso] – Termo cunhado por Benjamin Humphrey Smart e pela primeira vez mencionado em seu livro "Outline of Sematology" (Esboço da Sematologia), publicado em 1831, para designar a "doutrina dos símbolos como expressão do pensamento ou do raciocínio; a ciência de indicar o pensamento por símbolos", sendo essa a definição do termo nos principais dicionários de língua inglesa, como o Webster e o Oxford.
Seguindo-se essa definição que, se há de convir, é bastante ampla, enquadram-se como classes de sematologia, entre outras, a linguagem de sinais e a mímica, tanto a utilizada em espetáculos como a que se usa na diversão que leva esse nome.
Uso do Termo na Doutrina Espírita:
O termo sematologia é utilizado na Doutrina Espírita para designar a transmissão do pensamento dos espíritos por meio de sinais, tais como ruídos, batidas, movimento de objetos, etc. Em se tratando da sematologia por meio de batidas, é usado o termo tiptologia.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sematologia
2. Tiptologia:
s.f. No espiritismo, comunicação dos espíritos por meio de pancadas, ou pelo movimento de mesas giratórias. Fonte: http://www.kinghost.com.br/vocabulario/tiptologia.html
Tiptologia é a forma de Comunicação obtida pela sucessão de pancadas ou batidas curtas feitas em algum material rígido, usualmente madeira, produzindo ruídos. Trata-se, pois, de uma forma de Sematologia.
Na história do Espiritualismo e do Espiritismo, a tiptologia foi o meio utilizado nas primeiras comunicações entre os mortos (espíritos desencarnados) e os vivos (espíritos encarnados), no episódio protagonizado pelas Irmãs Fox em Hydesville, nos Estados Unidos da América, em 31 de março de 1848. Nesse episódio registrou-se a utilização da forma mais simples de tiptologia, ou seja, uma combinação, entre as duas partes comunicantes, em que certa quantidade de pancadas significaria "Sim" e outra quantidade, "Não". Logo, essa forma simples de comunicação evoluiu para uma forma mais elaborada, a chamada tiptologia alfabética, na qual a quantidade de pancadas significava uma determi-nada letra do alfabeto ou determinado algarismo, conforme combinação prévia entre as duas partes comunicantes.
A tiptologia na Codificação Espírita
A tiptologia é analisada de forma detalhada por Kardec no Capítulo XI de O Livro dos Médiuns, cujo título é "Da Sematologia e da Tiptologia". Este tema é de extrema importância para a Doutrina Espírita, pois foi por meio da manifestação e divulgação desse fenômeno nos Estados Unidos da América que se popularizaram os fenômenos espiritistas nos salões da Europa, permitindo ao professor Rivail, na França, iniciar os estudos que culminar na codificação da Doutrina Espírita, sob o pseudônimo de Allan Kardec.

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