E.S.E. Cap. XV - FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO
O maior mandamento
itens 4 e 5
4. Mas, os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca aos saduceus, se reuniram; e um deles, que era doutor da lei, foi propor-lhe esta questão, para tentá-lo: - Mestre, qual o grande mandamento da lei? - Jesus lhe respondeu: Amará o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. - Esse o maior e o primeiro mandamento. - E aqui está o segundo, que é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos. (S. MATEUS, cap. XXII, vv. 34 a 40.)
5. Caridade e humildade, tal a senda única da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição. Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos: "Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos." E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: “E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro” , isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.
L.E. Introdução ao estudo da doutrina Espírita
Item 6
VI
Conforme notamos acima, os próprios seres que se comunicam se designam a si mesmos pelo nome de Espíritos ou Gênios, declarando, alguns, pelo menos, terem pertencido a homens que viveram na Terra. Eles compõem o mundo espiritual, como nós constituímos o mundo corporal durante a vida terrena.
Vamos resumir, em poucas palavras, os pontos principais da doutrina que nos transmitiram, a fim de mais facilmente respondermos a certas objeções.
“Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.
“Criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e “imateriais.
“Os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o “mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos.
“O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a “tudo.
“O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais “existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita.
“Os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja “destruição pela morte lhes restitui a liberdade.
“Entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana “para a encarnação dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, dando-lhe “superioridade moral e intelectual sobre as outras.
“A alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.
“Há no homem três coisas: 1°, o corpo ou ser material análogo aos animais e “animado pelo mesmo princípio vital; 2°, a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no “corpo; 3°, o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o “Espírito.
“Tem assim o homem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos “instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos.
“O laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório “semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o “segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém que “pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das “aparições.
“O Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber-se pelo “pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela “vista, pelo ouvido e pelo tato.
“Os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em “inteligência, nem em saber, nem em moralidade. Os da primeira ordem são os Espíritos “superiores, que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua “proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e por seu amor do bem: são os anjos “ou puros Espíritos. Os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa “perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria eivados das nossas “paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. Comprazem-se no mal. Há também, entre “os inferiores, os que não são nem muito bons nem muito mais, antes perturbadores e “enredadores, do que perversos. A malícia e as inconseqüências parecem ser o que neles “predomina. São os Espíritos estúrdios ou levianos.
“Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram “passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da “encarnação, que é imposta a uns como expiação, e a outros como missão. A vida material é “uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que atinjam a absoluta “perfeição moral.
“Deixando o corpo, a alma volve ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passar “por nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual “permanece em estado de Espírito errante.
“Tendo o Espírito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido “muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na Terra, “quer em outros mundos.
“A encarnação dos Espíritos se dá sempre na espécie humana; seria erro acreditar-se “que a alma ou Espírito possa encarnar no corpo de um animal.
“As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca “regressivas; mas, a rapidez do seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à “perfeição.
“As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; assim, o “homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um Espírito “impuro.
“A alma possuía sua individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de se “haver separado do corpo.
“Na sua volta ao mundo dos Espíritos, encontra todos aqueles que conhecera na “Terra, e todas as suas existências anteriores se lhe desenham na memória, com a lembrança “de todo bem e de todo mal que fez.
“O Espírito encarnado se acha sob a influência da matéria; o homem que vence esta “influência, pela elevação e depuração de sua alma, se aproxima dos bons Espíritos, em cuja “companhia um dia estará. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as “suas alegrias na satisfação dos apetites grosseiros, se aproxima dos Espíritos impuros, “dando preponderância à sua natureza animal.
“Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo.
“Os não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita;
“estão por toda parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo.
“É toda uma população invisível, a mover-se em torno de nós.
“Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo “físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da “Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal “explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo.
“As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos “atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com “coragem e resignação. Os maus nos impelem para o mal: é-lhes um gozo ver-nos e “assemelhar-nos a eles.
“As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As “ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia.
“Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas se “dão por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, quase sempre “pelos médiuns que lhes servem de instrumentos.
“Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou mediante evocação.
“Podem evocar-se todos os Espíritos: os que animaram homens obscuros, como os “das personagens mais ilustres, seja qual for a época em que tenham vivido; os de nossos “parentes, amigos, ou inimigos, e obter-se deles, por comunicações escritas ou verbais, “conselhos, informações sobre a situação em que se encontram no Além, sobre o que “pensam a nosso respeito, assim como as revelações que lhes sejam permitidas fazer-nos.
“Os Espíritos são atraídos na razão da simpatia que lhes inspire a natureza moral do “meio que os evoca. Os Espíritos superiores se comprazem nas reuniões sérias, onde “predominam o amor do bem e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se “instruírem e melhorarem. A presença deles afasta os Espíritos inferiores que, inversamente, “encontram livre acesso e podem obrar com toda a liberdade entre pessoas frívolas ou “impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam maus instintos. Longe de se “obterem bons conselhos, ou informações úteis, deles só se devem esperar futilidades, “mentiras, gracejos de mau gosto, ou mistificações, pois que muitas vezes tomam nomes “venerados, a fim de melhor induzirem ao erro.
“Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. Os Espíritos superiores “usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, “escoimada de qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria lhes transparece dos “conselhos, que objetivam sempre o nosso melhoramento e o bem da Humanidade. A dos “Espíritos inferiores, ao contrário, é inconseqüente, amiúde trivial e até grosseira. Se, por “vezes, dizem alguma coisa boa e verdadeira, muito mais vezes dizem falsidades e absurdos, “por malícia ou ignorância. Zombam da credulidade dos homens e se divertem à custa dos “que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade, alimentando-lhes os desejos com falazes “esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na “mais ampla acepção do termo, só são dadas nos centros sérios, onde intima comunhão de “pensamentos, tendo em vista o bem.
“A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima “evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o “bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, “mesmo para as suas menores ações.
“Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos “aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, “se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se “avizinha da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil, de acordo com as “faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo; que o Forte e o “Poderoso devem amparo e proteção ao Fraco, porquanto transgride a Lei de Deus aquele “que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no “mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e “patenteadas todas as suas torpezas, que a presença inevitável, e de todos os instantes, “daqueles para com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos estão “reservados; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem “penas e gozos desconhecidos na Terra.
“Mas, ensinam também não haver faltas irremissíveis, que a expiação não possa “apagar. Meio de consegui-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem “avançar, de acordo com seus desejos e esforços, na senda do progresso, para a “perfeição, que é o seu destino final.”
Este o resumo da Doutrina Espírita, como resulta dos ensinamentos dados pelos Espíritos superiores. Vejamos agora as objeções que se lhe contrapõem.
VINHA DE LUZ
51 – Não se envergonhar
“Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem.”
— Jesus, Lucas, 9:26
Muitos aprendizes existem satisfeitos consigo mesmos tão-somente em razão de algumas afirmativas quixotescas. Congregam-se em grandes discussões, atrabiliários e irascíveis, tentando convencer gregos e troianos, relativamente à fé religiosa e, quando interpelados sobre a fúria em que se comprazem, na imposição dos pontos de vista que lhes são próprios, costumam redargüir que é imprescindível não nos envergonharmos do Mestre, nem de seus ensinamentos perante a multidão.
Todavia, por vezes, a preocupação de preservar o Cristianismo não passa de posição meramente verbal.
Tais defensores do Cristo andam esquecidos de que, antes de tudo, é indispensável não esquecer-lhe os princípios sublimes, diante das tarefas de cada dia.
A vida de um homem é a sua própria confissão pública.
A conduta de cada crente é a sua verdadeira profissão de fé.
Muito infantis o trovão da voz e a mímica verbalista, filhos da vaidade individual, junto de ouvintes incompreensivos e complacentes, com pleno esquecimento dos necessários testemunhos com o Mestre, na oficina de trabalho comum e no lar purificador.
Torna-se indispensável não se envergonhar o aprendiz de Jesus, não em perlengas calorosas, das quais cada contendor regressa mais exasperado, mas sim perante as situações, aparentemente insignificantes ou eminentemente expressivas, em que se pede ao crente o exemplo de amor, renúncia e sacrifício pessoal que o Senhor demonstrou em sua trajetória sublime.
L.M. Parte II – Noções preliminares
Cap. VII – DA BICORPOREIDADE E DA TRANSFIGURAÇÃO
itens 116 e 117
116. Outra senhora, residente na província, estando gravemente enferma, viu certa noite, por volta das dez horas, um senhor idoso, que residia na mesma cidade e com quem ela se encontrava às vezes na sociedade, mas sem que existissem relações estreitas entre ambos. Viu-o perto de sua cama, sentado numa poltrona e a tomar, de quando em quando, uma pitada de rapé. Tinha ares de vigiá-la. Surpreendida com semelhante visita a tais horas, quis perguntar-lhe por que motivo ali estava, mas o senhor lhe fez sinal que não falasse e tratasse de dormir. De todas as vezes que ela intentou dirigir-lhe a palavra, o mesmo gesto a impediu de fazê-lo. A senhora acabou por adormecer. Passados alguns dias, tendo-se restabelecido, recebeu a visita do dito senhor, mas em hora mais própria, sendo que dessa vez era ele realmente quem lá 'estava. Trazia a mesma roupa, a mesma caixa de rapé e os modos eram os mesmos. Persuadida de que ele a visitara durante sua enfermidade, agradeceu-lhe o incômodo a que se dera. O homem, muito espantado, declarou que havia longo tempo não tinha a satisfação de vê-la. A senhora, conhecedora que era dos fenômenos espíritas, compreendeu o de que se tratava: mas, não querendo entrar em explicações, limitou-se a dizer que provavelmente fora um sonho.
É o mais provável, dirão os incrédulos, os "espíritos fortes", o que, para eles mesmos, é sinônimo de pessoas de espírito. O certo, entretanto, é que a senhora de quem falamos, do mesmo modo que a outra, não dormia. - Então, é que sonhara acordada, ou, por outra, tivera uma alucinação. - Aí está a palavra mágica, a explicação universal de tudo o que se não compreende. Como, porém, já rebatemos suficientemente essa explicação, prosseguiremos, dirigindo-nos aos que nos podem compreender.
117. Eis aqui agora outro fato ainda mais característico e grande curiosidade teríamos de ver como poderiam explicá-lo unicamente por meio da imaginação.
Trata-se de um senhor provinciano, que jamais quisera casar-se, mau grado às instâncias de sua família, que muito insistira notadamente a favor de uma moça residente em cidade próxima e que ele jamais vira. Um dia, estando no seu quarto, teve a enorme surpresa de se ver em presença de uma donzela vestida de branco e com a cabeça ornada por uma coroa de flores. Disse-lhe que era sua noiva, estendeu-lhe a mão, que ele tomou nas suas, vendo-lhe num dos dedos um anel. Ao cabo de alguns instantes, desapareceu tudo. Surpreendido com aquela aparição, depois de se haver certificado de estar perfeitamente acordado, inquiriu se alguém lá estivera durante o dia. Responderam-lhe que na casa pessoa alguma fora vista. Decorrido um ano, cedendo a novas solicitações de uma parenta, resolveu-se a ir ver a moça que lhe propunham. Chegou à cidade onde ela morava, no dia da festa de Corpus-Christi. Voltaram todos da procissão e uma das primeiras pessoas que lhe surgiram ante os olhos, ao entrar ele na casa aonde ia, foi uma moça que lhe não custou reconhecer como a mesma que lhe aparecera. Trajava tal qual a aparição, porquanto esta se verificara também num dia de Corpus-Christi. Ficou atônito e a mocinha, por seu lado, soltou um grito e sentiu-se mal. Voltando a si, disse já ter visto aquele senhor, um ano antes, em dia igual ao em que estavam. Realizou-se o casamento. Isso ocorreu em 1835, época em que ainda se não cogitava de Espíritos, acrescendo que ambos os protagonistas do episódio são extremamente positivistas e possuidores da imaginação menos exaltada que há no mundo.
Dirão talvez que ambos tinham o espírito despertado pela idéia da união proposta e que essa preocupação determinou uma alucinação. Importa, porém, não esquecer que o marido se conservara tão indiferente a isso, que deixou passar um ano sem ir vera sua pretendida. Mesmo, todavia, que se admita esta hipótese, ainda ficaria pendendo de explicação a aparição dupla, a coincidência do vestuário com o do dia de Corpus-Christi e, por fim, o reconhecimento físico, reciprocamente ocorrido entre pessoas que nunca se viram, circunstâncias que não podem ser produto da imaginação.
CAMINHO, VERDADE E VIDA
51 – Meninos espirituais
“Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, pois é menino.”
— Paulo,Hebreus, 5:13
Na apreciação dos companheiros de luta, que nos integram o quadro de trabalho diário, é útil não haja choques, quando, inesperadamente, surgirem falhas e fraquezas. Antes da emissão de qualquer juízo, é conveniente conhecer o quilate dos valores espirituais em exame.
Jamais prescindamos da compreensão ante os que se desviam do caminho reto. A estrada percorrida pelo homem experiente está cheia de crianças dessa natureza. Deus cerca os passos do sábio, com as expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e para que essa mesma luz seja glorificada. Nesse intercâmbio substancialmente divino, o ignorante aprende e o sábio cresce.
Os discípulos de boa-vontade necessitam da sincera atitude de observação e tolerância. É natural que se regozijem com o alimento rico e substancioso com que lhes é dado nutrir a alma; no entanto, não desprezem outros irmãos, cujo organismo espiritual ainda não tolera senão o leite simples dos primeiros conhecimentos.
Toda criança é frágil e ninguém deve condená-la por isso.
Se tua mente pode librar no vôo mais alto, não te esqueças dos que ficaram no ninho onde nasceste e onde estiveste longo tempo, completando a plumagem. Diante dos teus olhos deslumbrados, alonga-se o infinito. Eles estarão contigo, um dia, e, porque a união integral esteja tardando, não os abandones ao acaso, nem lhes recuses o leite que amam e de que ainda necessitam.
* Referências identificadas na leitura do dia
1. Eivado: adj (part de eivar) 1 Que tem eiva; manchado. 2 Contaminado, viciado. Antônimo: puro.
2. Há entre esta doutrina da reencarnação e a da metempsicose, como a admitem certas seitas, uma diferença característica, que é explicada no curso da presente obra.
Metempsicose - Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Metempsicose: (do grego: meta: mudança + en: em + psiquê: alma) é o termo genérico para transmigração da alma, de um corpo para outro, seja este do mesmo tipo de ser vivo ou não. É usualmente denominada de metacomorfose. Essa crença não se restringe à reencarnação humana, mas abrange a possibilidade da alma humana encarnar em animais ou vegetais. Era uma crença amplamente difundida na Pré-história e na Antigüidade, sendo encontrada entre os egípcios, gregos, romanos, chineses e na Índia, etc,. Entre os budistas tibetanos essa migração é possível, embora muito rara (os budistas descrevem várias formas de reencarnação, sob vários contextos diferentes). Os esquimós e outros povos atuais considerados "primitivos" mantém a mesma convicção.
É considerada entre os espiritualistas em geral uma involução.
O termo é encontrado em Pitágoras e Platão. Acredita-se que Pitágoras aprendeu seu significado com os egípcios, que por sua vez aprenderam com os indianos. A problemática desse raciocínio é a divergência entre as crenças. Platão e os indianos não acreditavam na metempsicose. Utilizavam o termo na ausência de outro como sinônimo de reencarnação. Já os Egípcios, estes sim, acreditavam na metempsicose (como ela é descrita aqui). Dessa maneira, sendo o termo grego, há polêmica quanto ao seu significado.
Metempsicose - Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/palestras/ivan-franzolim/dicionario-auxiliar-do-comunicador.html. Metempsicose Doutrina segundo a qual existem almas individuais que transmigram de um ser vivo para outro, quer esta transmigração só se verifique entre os homens, quer se estenda a outros seres vivos e até ao que consideramos objetos inanimados.
3. Atrabiliários: adj. e s.m. De mau humor; violento, colérico. / Melancólico.
4. Perlengas: Substantivo: 1. Discurso sem sentido, oco, fútil: “Mas eu já não me lembra o que queria dizer com esta perlenga que tenho feito, nem o fim para que acarretei isto. – O Piolho Viajante, de Policarpo da Silva”. 2. Discussão, desordem, agitação. Fonte: http://pt.wiktionary.org/wiki/perlenga
5. Librar: v.t. Equilibrar. / Suspender. / Fundamentar: “não vai nisto librada a minha opinião.” / — V.pr. Suspender-se, sustentar-se no ar. / Consistir, basear-se.
O maior mandamento
itens 4 e 5
4. Mas, os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca aos saduceus, se reuniram; e um deles, que era doutor da lei, foi propor-lhe esta questão, para tentá-lo: - Mestre, qual o grande mandamento da lei? - Jesus lhe respondeu: Amará o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. - Esse o maior e o primeiro mandamento. - E aqui está o segundo, que é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos. (S. MATEUS, cap. XXII, vv. 34 a 40.)
5. Caridade e humildade, tal a senda única da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição. Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos: "Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos." E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: “E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro” , isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.
L.E. Introdução ao estudo da doutrina Espírita
Item 6
VI
Conforme notamos acima, os próprios seres que se comunicam se designam a si mesmos pelo nome de Espíritos ou Gênios, declarando, alguns, pelo menos, terem pertencido a homens que viveram na Terra. Eles compõem o mundo espiritual, como nós constituímos o mundo corporal durante a vida terrena.
Vamos resumir, em poucas palavras, os pontos principais da doutrina que nos transmitiram, a fim de mais facilmente respondermos a certas objeções.
“Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.
“Criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e “imateriais.
“Os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o “mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos.
“O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a “tudo.
“O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais “existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita.
“Os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja “destruição pela morte lhes restitui a liberdade.
“Entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana “para a encarnação dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, dando-lhe “superioridade moral e intelectual sobre as outras.
“A alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.
“Há no homem três coisas: 1°, o corpo ou ser material análogo aos animais e “animado pelo mesmo princípio vital; 2°, a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no “corpo; 3°, o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o “Espírito.
“Tem assim o homem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos “instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos.
“O laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório “semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o “segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém que “pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das “aparições.
“O Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber-se pelo “pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela “vista, pelo ouvido e pelo tato.
“Os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em “inteligência, nem em saber, nem em moralidade. Os da primeira ordem são os Espíritos “superiores, que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua “proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e por seu amor do bem: são os anjos “ou puros Espíritos. Os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa “perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria eivados das nossas “paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. Comprazem-se no mal. Há também, entre “os inferiores, os que não são nem muito bons nem muito mais, antes perturbadores e “enredadores, do que perversos. A malícia e as inconseqüências parecem ser o que neles “predomina. São os Espíritos estúrdios ou levianos.
“Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram “passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da “encarnação, que é imposta a uns como expiação, e a outros como missão. A vida material é “uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que atinjam a absoluta “perfeição moral.
“Deixando o corpo, a alma volve ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passar “por nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual “permanece em estado de Espírito errante.
“Tendo o Espírito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido “muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na Terra, “quer em outros mundos.
“A encarnação dos Espíritos se dá sempre na espécie humana; seria erro acreditar-se “que a alma ou Espírito possa encarnar no corpo de um animal.
“As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca “regressivas; mas, a rapidez do seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à “perfeição.
“As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; assim, o “homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um Espírito “impuro.
“A alma possuía sua individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de se “haver separado do corpo.
“Na sua volta ao mundo dos Espíritos, encontra todos aqueles que conhecera na “Terra, e todas as suas existências anteriores se lhe desenham na memória, com a lembrança “de todo bem e de todo mal que fez.
“O Espírito encarnado se acha sob a influência da matéria; o homem que vence esta “influência, pela elevação e depuração de sua alma, se aproxima dos bons Espíritos, em cuja “companhia um dia estará. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as “suas alegrias na satisfação dos apetites grosseiros, se aproxima dos Espíritos impuros, “dando preponderância à sua natureza animal.
“Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo.
“Os não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita;
“estão por toda parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo.
“É toda uma população invisível, a mover-se em torno de nós.
“Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo “físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da “Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal “explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo.
“As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos “atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com “coragem e resignação. Os maus nos impelem para o mal: é-lhes um gozo ver-nos e “assemelhar-nos a eles.
“As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As “ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia.
“Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas se “dão por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, quase sempre “pelos médiuns que lhes servem de instrumentos.
“Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou mediante evocação.
“Podem evocar-se todos os Espíritos: os que animaram homens obscuros, como os “das personagens mais ilustres, seja qual for a época em que tenham vivido; os de nossos “parentes, amigos, ou inimigos, e obter-se deles, por comunicações escritas ou verbais, “conselhos, informações sobre a situação em que se encontram no Além, sobre o que “pensam a nosso respeito, assim como as revelações que lhes sejam permitidas fazer-nos.
“Os Espíritos são atraídos na razão da simpatia que lhes inspire a natureza moral do “meio que os evoca. Os Espíritos superiores se comprazem nas reuniões sérias, onde “predominam o amor do bem e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se “instruírem e melhorarem. A presença deles afasta os Espíritos inferiores que, inversamente, “encontram livre acesso e podem obrar com toda a liberdade entre pessoas frívolas ou “impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam maus instintos. Longe de se “obterem bons conselhos, ou informações úteis, deles só se devem esperar futilidades, “mentiras, gracejos de mau gosto, ou mistificações, pois que muitas vezes tomam nomes “venerados, a fim de melhor induzirem ao erro.
“Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. Os Espíritos superiores “usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, “escoimada de qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria lhes transparece dos “conselhos, que objetivam sempre o nosso melhoramento e o bem da Humanidade. A dos “Espíritos inferiores, ao contrário, é inconseqüente, amiúde trivial e até grosseira. Se, por “vezes, dizem alguma coisa boa e verdadeira, muito mais vezes dizem falsidades e absurdos, “por malícia ou ignorância. Zombam da credulidade dos homens e se divertem à custa dos “que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade, alimentando-lhes os desejos com falazes “esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na “mais ampla acepção do termo, só são dadas nos centros sérios, onde intima comunhão de “pensamentos, tendo em vista o bem.
“A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima “evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o “bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, “mesmo para as suas menores ações.
“Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos “aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, “se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se “avizinha da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil, de acordo com as “faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo; que o Forte e o “Poderoso devem amparo e proteção ao Fraco, porquanto transgride a Lei de Deus aquele “que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no “mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e “patenteadas todas as suas torpezas, que a presença inevitável, e de todos os instantes, “daqueles para com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos estão “reservados; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem “penas e gozos desconhecidos na Terra.
“Mas, ensinam também não haver faltas irremissíveis, que a expiação não possa “apagar. Meio de consegui-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem “avançar, de acordo com seus desejos e esforços, na senda do progresso, para a “perfeição, que é o seu destino final.”
Este o resumo da Doutrina Espírita, como resulta dos ensinamentos dados pelos Espíritos superiores. Vejamos agora as objeções que se lhe contrapõem.
VINHA DE LUZ
51 – Não se envergonhar
“Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem.”
— Jesus, Lucas, 9:26
Muitos aprendizes existem satisfeitos consigo mesmos tão-somente em razão de algumas afirmativas quixotescas. Congregam-se em grandes discussões, atrabiliários e irascíveis, tentando convencer gregos e troianos, relativamente à fé religiosa e, quando interpelados sobre a fúria em que se comprazem, na imposição dos pontos de vista que lhes são próprios, costumam redargüir que é imprescindível não nos envergonharmos do Mestre, nem de seus ensinamentos perante a multidão.
Todavia, por vezes, a preocupação de preservar o Cristianismo não passa de posição meramente verbal.
Tais defensores do Cristo andam esquecidos de que, antes de tudo, é indispensável não esquecer-lhe os princípios sublimes, diante das tarefas de cada dia.
A vida de um homem é a sua própria confissão pública.
A conduta de cada crente é a sua verdadeira profissão de fé.
Muito infantis o trovão da voz e a mímica verbalista, filhos da vaidade individual, junto de ouvintes incompreensivos e complacentes, com pleno esquecimento dos necessários testemunhos com o Mestre, na oficina de trabalho comum e no lar purificador.
Torna-se indispensável não se envergonhar o aprendiz de Jesus, não em perlengas calorosas, das quais cada contendor regressa mais exasperado, mas sim perante as situações, aparentemente insignificantes ou eminentemente expressivas, em que se pede ao crente o exemplo de amor, renúncia e sacrifício pessoal que o Senhor demonstrou em sua trajetória sublime.
L.M. Parte II – Noções preliminares
Cap. VII – DA BICORPOREIDADE E DA TRANSFIGURAÇÃO
itens 116 e 117
116. Outra senhora, residente na província, estando gravemente enferma, viu certa noite, por volta das dez horas, um senhor idoso, que residia na mesma cidade e com quem ela se encontrava às vezes na sociedade, mas sem que existissem relações estreitas entre ambos. Viu-o perto de sua cama, sentado numa poltrona e a tomar, de quando em quando, uma pitada de rapé. Tinha ares de vigiá-la. Surpreendida com semelhante visita a tais horas, quis perguntar-lhe por que motivo ali estava, mas o senhor lhe fez sinal que não falasse e tratasse de dormir. De todas as vezes que ela intentou dirigir-lhe a palavra, o mesmo gesto a impediu de fazê-lo. A senhora acabou por adormecer. Passados alguns dias, tendo-se restabelecido, recebeu a visita do dito senhor, mas em hora mais própria, sendo que dessa vez era ele realmente quem lá 'estava. Trazia a mesma roupa, a mesma caixa de rapé e os modos eram os mesmos. Persuadida de que ele a visitara durante sua enfermidade, agradeceu-lhe o incômodo a que se dera. O homem, muito espantado, declarou que havia longo tempo não tinha a satisfação de vê-la. A senhora, conhecedora que era dos fenômenos espíritas, compreendeu o de que se tratava: mas, não querendo entrar em explicações, limitou-se a dizer que provavelmente fora um sonho.
É o mais provável, dirão os incrédulos, os "espíritos fortes", o que, para eles mesmos, é sinônimo de pessoas de espírito. O certo, entretanto, é que a senhora de quem falamos, do mesmo modo que a outra, não dormia. - Então, é que sonhara acordada, ou, por outra, tivera uma alucinação. - Aí está a palavra mágica, a explicação universal de tudo o que se não compreende. Como, porém, já rebatemos suficientemente essa explicação, prosseguiremos, dirigindo-nos aos que nos podem compreender.
117. Eis aqui agora outro fato ainda mais característico e grande curiosidade teríamos de ver como poderiam explicá-lo unicamente por meio da imaginação.
Trata-se de um senhor provinciano, que jamais quisera casar-se, mau grado às instâncias de sua família, que muito insistira notadamente a favor de uma moça residente em cidade próxima e que ele jamais vira. Um dia, estando no seu quarto, teve a enorme surpresa de se ver em presença de uma donzela vestida de branco e com a cabeça ornada por uma coroa de flores. Disse-lhe que era sua noiva, estendeu-lhe a mão, que ele tomou nas suas, vendo-lhe num dos dedos um anel. Ao cabo de alguns instantes, desapareceu tudo. Surpreendido com aquela aparição, depois de se haver certificado de estar perfeitamente acordado, inquiriu se alguém lá estivera durante o dia. Responderam-lhe que na casa pessoa alguma fora vista. Decorrido um ano, cedendo a novas solicitações de uma parenta, resolveu-se a ir ver a moça que lhe propunham. Chegou à cidade onde ela morava, no dia da festa de Corpus-Christi. Voltaram todos da procissão e uma das primeiras pessoas que lhe surgiram ante os olhos, ao entrar ele na casa aonde ia, foi uma moça que lhe não custou reconhecer como a mesma que lhe aparecera. Trajava tal qual a aparição, porquanto esta se verificara também num dia de Corpus-Christi. Ficou atônito e a mocinha, por seu lado, soltou um grito e sentiu-se mal. Voltando a si, disse já ter visto aquele senhor, um ano antes, em dia igual ao em que estavam. Realizou-se o casamento. Isso ocorreu em 1835, época em que ainda se não cogitava de Espíritos, acrescendo que ambos os protagonistas do episódio são extremamente positivistas e possuidores da imaginação menos exaltada que há no mundo.
Dirão talvez que ambos tinham o espírito despertado pela idéia da união proposta e que essa preocupação determinou uma alucinação. Importa, porém, não esquecer que o marido se conservara tão indiferente a isso, que deixou passar um ano sem ir vera sua pretendida. Mesmo, todavia, que se admita esta hipótese, ainda ficaria pendendo de explicação a aparição dupla, a coincidência do vestuário com o do dia de Corpus-Christi e, por fim, o reconhecimento físico, reciprocamente ocorrido entre pessoas que nunca se viram, circunstâncias que não podem ser produto da imaginação.
CAMINHO, VERDADE E VIDA
51 – Meninos espirituais
“Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, pois é menino.”
— Paulo,Hebreus, 5:13
Na apreciação dos companheiros de luta, que nos integram o quadro de trabalho diário, é útil não haja choques, quando, inesperadamente, surgirem falhas e fraquezas. Antes da emissão de qualquer juízo, é conveniente conhecer o quilate dos valores espirituais em exame.
Jamais prescindamos da compreensão ante os que se desviam do caminho reto. A estrada percorrida pelo homem experiente está cheia de crianças dessa natureza. Deus cerca os passos do sábio, com as expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e para que essa mesma luz seja glorificada. Nesse intercâmbio substancialmente divino, o ignorante aprende e o sábio cresce.
Os discípulos de boa-vontade necessitam da sincera atitude de observação e tolerância. É natural que se regozijem com o alimento rico e substancioso com que lhes é dado nutrir a alma; no entanto, não desprezem outros irmãos, cujo organismo espiritual ainda não tolera senão o leite simples dos primeiros conhecimentos.
Toda criança é frágil e ninguém deve condená-la por isso.
Se tua mente pode librar no vôo mais alto, não te esqueças dos que ficaram no ninho onde nasceste e onde estiveste longo tempo, completando a plumagem. Diante dos teus olhos deslumbrados, alonga-se o infinito. Eles estarão contigo, um dia, e, porque a união integral esteja tardando, não os abandones ao acaso, nem lhes recuses o leite que amam e de que ainda necessitam.
* Referências identificadas na leitura do dia
1. Eivado: adj (part de eivar) 1 Que tem eiva; manchado. 2 Contaminado, viciado. Antônimo: puro.
2. Há entre esta doutrina da reencarnação e a da metempsicose, como a admitem certas seitas, uma diferença característica, que é explicada no curso da presente obra.
Metempsicose - Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Metempsicose: (do grego: meta: mudança + en: em + psiquê: alma) é o termo genérico para transmigração da alma, de um corpo para outro, seja este do mesmo tipo de ser vivo ou não. É usualmente denominada de metacomorfose. Essa crença não se restringe à reencarnação humana, mas abrange a possibilidade da alma humana encarnar em animais ou vegetais. Era uma crença amplamente difundida na Pré-história e na Antigüidade, sendo encontrada entre os egípcios, gregos, romanos, chineses e na Índia, etc,. Entre os budistas tibetanos essa migração é possível, embora muito rara (os budistas descrevem várias formas de reencarnação, sob vários contextos diferentes). Os esquimós e outros povos atuais considerados "primitivos" mantém a mesma convicção.
É considerada entre os espiritualistas em geral uma involução.
O termo é encontrado em Pitágoras e Platão. Acredita-se que Pitágoras aprendeu seu significado com os egípcios, que por sua vez aprenderam com os indianos. A problemática desse raciocínio é a divergência entre as crenças. Platão e os indianos não acreditavam na metempsicose. Utilizavam o termo na ausência de outro como sinônimo de reencarnação. Já os Egípcios, estes sim, acreditavam na metempsicose (como ela é descrita aqui). Dessa maneira, sendo o termo grego, há polêmica quanto ao seu significado.
Metempsicose - Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/palestras/ivan-franzolim/dicionario-auxiliar-do-comunicador.html. Metempsicose Doutrina segundo a qual existem almas individuais que transmigram de um ser vivo para outro, quer esta transmigração só se verifique entre os homens, quer se estenda a outros seres vivos e até ao que consideramos objetos inanimados.
3. Atrabiliários: adj. e s.m. De mau humor; violento, colérico. / Melancólico.
4. Perlengas: Substantivo: 1. Discurso sem sentido, oco, fútil: “Mas eu já não me lembra o que queria dizer com esta perlenga que tenho feito, nem o fim para que acarretei isto. – O Piolho Viajante, de Policarpo da Silva”. 2. Discussão, desordem, agitação. Fonte: http://pt.wiktionary.org/wiki/perlenga
5. Librar: v.t. Equilibrar. / Suspender. / Fundamentar: “não vai nisto librada a minha opinião.” / — V.pr. Suspender-se, sustentar-se no ar. / Consistir, basear-se.

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