O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - AÇÃO DA PRECE - TRANSMISSÃO DO PENSAMENTO
9 A prece é uma invocação . Ao fazê-la o homem entra em comunicação pelo pensamento com o ser ao qual se dirige; pode ser para pedir, para agradecer ou para glorificar. Podemos orar por nós mesmos, por outras pessoas, pelos vivos ou pelos mortos. As preces dirigidas a Deus são ouvidas pelos Espíritos encarregados da execução das vontades d'Ele, e as que são dirigidas aos bons Espíritos são igualmente levadas a Deus. Quando oramos para outros seres que não a Deus, é somente na qualidade de intermediários que eles as recebem, pois nada pode se realizar sem a vontade de Deus.
10 O Espiritismo nos faz compreender a ação da prece ao explicar o modo de transmissão do pensamento, seja quando o ser chamado atenda ao nosso apelo, seja quando nosso pensamento chegue até ele. Para compreendermos como isso acontece, é preciso imaginar todos os seres encarnados e desencarnados mergulhados no fluido universal que ocupa todo o espaço, tal qual nos achamos envolvidos pela atmosfera aqui na Terra. Esse fluido recebe um impulso da nossa vontade e ele é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som, com uma diferença: as vibrações do ar são limitadas, ao passo que as do fluido universal se estendem ao infinito. Portanto, quando o pensamento é dirigido a um ser qualquer na Terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado ou de desencarnado para encarnado, uma corrente de fluidos se estabelece entre um e outro, transmitindo o pensamento entre eles como o ar transmite o som.
A intensidade dessa corrente de fluidos será forte ou fraca de acordo com a força do pensamento e da vontade de quem ora. É desse modo que a prece é ouvida pelos Espíritos em qualquer lugar em que se encontrem; é desta maneira também que os Espíritos se comunicam entre si, nos transmitem suas inspirações, e que as relações se estabelecem a distância entre encarnados.
Esta explicação visa, em especial, esclarecer aos que não compreendem a utilidade da prece puramente espiritual, isto é, vinda da alma. Tem por finalidade separar a prece das coisas materiais e tornar compreensível o seu efeito, mostrando que pode ter uma ação direta e efetiva, mas sempre subordinada à vontade de Deus, juiz supremo de todas as coisas, a quem cabe tornar eficaz sua ação.
11 Pela prece, o homem atrai para si o auxílio dos bons Espíritos que o vêm sustentar nas suas boas resoluções e lhe inspirar bons pensamentos. Ele adquire assim a força moral necessária para vencer as dificuldades e voltar ao bom caminho, se dele se afastou. Dessa forma, pode desviar de si os males que atrairia devido às suas próprias faltas. Um homem, por exemplo, vê sua saúde arruinada pelos excessos que cometeu e arrasta, até o fim de seus dias, uma vida de sofrimentos. Terá ele o direito de lamentar-se por não obter a cura? Não, já que poderia ter encontrado na prece a força para resistir às tentações.
12 Se dividirmos os males da vida em duas partes, teremos: uma, que o homem não pode evitar; outra, em que ele mesmo é o principal causador devido aos seus desleixos, excessos (veja nesta obra Cap. 5:4). Constataremos que, onde o homem é o agente, supera, em muito, a outra. Fica, portanto, bem evidente que o homem é o responsável pela maior parte das suas aflições, às quais se pouparia caso agisse com sabedoria e prudência.
É certo também que essas misérias são o resultado das nossas infrações às leis de Deus, que, se fossem respeitadas rigorosamente, nos fariam felizes. Se não ultrapassássemos o limite do necessário na satisfação de nossas necessidades, não teríamos as doenças que são conseqüência dos excessos, e nem as alternativas que elas ocasionam. Se colocássemos limite à nossa ambição, não temeríamos a ruína; se não quiséssemos subir mais alto do que podemos, não temeríamos cair; se fôssemos humildes, não sofreríamos as decepções do orgulho ferido; se praticássemos a lei da caridade, não seríamos nem maledicentes, nem invejosos, nem ciumentos e evitaríamos as desavenças e as discussões; se não fizéssemos mal a ninguém, não temeríamos as vinganças.
Admitamos que o homem nada possa fazer em relação àqueles de quem não pode evitar males, e que toda prece seja inútil para se livrar deles. Já não seria o bastante estar livre de todos os males que decorrem de sua própria conduta? É neste caso que a ação da prece facilmente se compreende, já que ela tem por efeito atrair a inspiração salutar dos bons Espíritos, pedir-lhes a força necessária para resistir aos maus pensamentos, cuja realização pode nos ser funesta . Neste caso, não é o mal que eles afastam de nós, mas é a nós mesmos que eles afastam do mau pensamento que pode nos causar o mal; não impedem em nada os decretos de Deus, nem suspendem o curso das leis da Natureza; apenas evitam que infrinjamos essas leis, ao orientarem o nosso livre-arbítrio•. Agem assim, de maneira oculta, sem que se dêem a perceber, para não nos considerarmos submissos à sua vontade. O homem se encontra, então, na posição daquele que solicita bons conselhos e os coloca em prática, mas é sempre livre para segui-los ou não. Deus quer que assim seja, para que ele tenha a responsabilidade de seus atos e para deixar-lhe o mérito da escolha entre o bem e o mal. O homem sempre pode obter isso se orar com fervor, e é neste caso que se podem aplicar estas palavras: Pedi e obtereis.
A eficiência da prece, mesmo reduzida a esta proporção, não seria de um imenso resultado? Estava reservado ao Espiritismo provar a sua ação ao revelar as relações que existem entre o mundo corporal e o mundo espiritual. Mas não é a isso somente que se limitam os efeitos da prece. A prece é recomendada por todos os Espíritos; renunciar à prece é negar a bondade de Deus, é recusar para si mesmo a sua assistência, e, para os outros, o bem que lhes pode fazer.
13 Ao atender o pedido que Lhe é dirigido, Deus, freqüentemente, tem em vista recompensar a intenção, o devotamento e a fé daquele que ora. É por isso que a prece do homem de bem tem mais mérito aos olhos de Deus e maior eficiência. O homem vicioso e mau não consegue orar com o fervor e a confiança que só são alcançados pelo sentimento da verdadeira piedade. Do coração do egoísta, daquele que apenas ora com os lábios, sairão de sua boca apenas palavras, mas não os sentimentos da caridade que dão à prece todo o seu poder. Compreende-se assim por que, instintivamente, pedimos preces em nosso favor àquelas pessoas cuja conduta nos parece ser agradável a Deus, pois serão melhor ouvidas.
14 A prece aciona uma espécie de ação magnética entre aquele que ora e aquele a quem ela se dirige. Poderia se pensar que o efeito da prece depende desse magnetismo, da força fluídica, daquele que ora, mas não é bem assim. Os Espíritos têm a condição de poder acionar essa ação magnética fluídica sobre os homens e em razão disso complementam, quando se faz necessário, a insuficiência daquele que ora, seja agindo diretamente “em seu próprio nome”, seja dando-lhes, naquele momento, uma força excepcional, desde que os julguem dignos dessa ajuda ou quando ela possa ser proveitosa.
O homem que não acredita ser suficientemente bom para praticar pela prece uma ação benéfica não deve, por isso, deixar de orar em favor de outro, por julgar-se indigno de ser escutado. A consciência de suas imperfeições é uma prova de humildade, sempre agradável a Deus, que leva em conta a intenção caridosa que o anima. Seu fervor e sua confiança em Deus são um primeiro passo de retorno ao bem e os bons Espíritos se sentem felizes por encorajá-lo. A prece que nunca alcança graças é a do orgulhoso, que só tem fé em seu poder, em seus méritos e que julga poder se sobrepor à vontade do Eterno.
15 O poder da prece está no pensamento, não depende nem de palavras, nem do lugar, nem do momento, nem da forma como é feita. Pode-se orar em qualquer lugar e a qualquer hora, sozinho ou com mais pessoas. A influência do lugar ou do tempo de duração só se faz sentir nas condições que podem favorecer a meditação. A prece em conjunto tem uma ação mais poderosa quando todos os que oram se associam de coração a um mesmo pensamento e têm um mesmo objetivo, porque, então, é como se muitos clamassem a uma só voz. Mas o que valerá estarem reunidos num grande número para orar se cada um atuar isoladamente e por sua própria conta? Cem pessoas reunidas podem orar como egoístas, enquanto duas ou três, unidas por um ideal comum, orarão como verdadeiros irmãos, filhos de Deus, e sua prece terá mais poder do que a daquelas cem pessoas. (Veja Cap. 28:4 e 5.)
O LIVRO DOS ESPÍRITOS - Capítulo XI: Os três reinos – II Os animais e o Homem
605 Se considerássemos todos os pontos de contato entre o homem e os animais, não poderíamos deduzir que o homem possui duas almas: a alma animal e a alma espírita e que, se não tivesse essa última, poderia viver como o animal? De outro modo, pode-se considerar que o animal é um ser semelhante ao homem, tendo menos alma espírita? Isso não significaria que os bons e os maus instintos do homem seriam o efeito da predominância de uma dessas duas almas?
– Não. O homem não tem duas almas; mas os corpos têm instintos que são o resultado da sensação dos órgãos. Há nele apenas uma dupla natureza: a natureza animal e a natureza espiritual. Pelo seu corpo, participa da natureza dos animais e seus instintos; pela sua alma, participa da natureza dos Espíritos.
605 a Assim, além de suas próprias imperfeições, das quais o Espírito deve se despojar, o homem tem ainda que lutar contra a influência da matéria?
– Sim, quanto mais é inferior mais os laços entre o Espírito e a matéria são unidos; não o vedes? O homem não tem duas almas; a alma é sempre única em cada ser. A alma do animal e a do homem são distintas uma da outra, de modo que a alma de um não pode animar o corpo criado para a outra. Mas, ainda que o homem não tenha alma animal que, por suas paixões, o nivele aos animais, tem o corpo que muitas vezes o rebaixa a eles, porque seu corpo é um ser dotado de vitalidade, que tem instintos, porém ininteligentes e limitados ao cuidado de sua conservação.
• O Espírito, ao encarnar no corpo do homem, traz o princípio intelectual e moral que o torna superior aos animais. As duas naturezas que existem no homem dão às suas paixões duas origens diferentes: uma vem dos instintos da natureza animal, outra das impurezas do Espírito encarnado e que simpatiza mais ou menos com a grosseria dos apetites animais. Purificando-se, o Espírito se liberta pouco a pouco da influência da matéria. Submisso a essa influência, se aproxima da brutalidade; despojado dela, se eleva à sua verdadeira destinação.
606 De onde os animais tiram o princípio inteligente que constitui a espécie particular de alma, da qual são dotados?
– Do elemento inteligente universal.
606 a A inteligência do homem e a dos animais vêm de um princípio único?
– Sem dúvida. Mas no homem ela recebeu uma elaboração que o eleva acima do animal.
607 Foi dito que a alma do homem, em sua origem, está no estado semelhante ao da infância da vida corporal, que sua inteligência apenas desabrocha e ela ensaia para a vida. (Veja a questão 190.) Onde o Espírito cumpre essa primeira fase?
– Em uma série de existências anteriores ao período que chamais humanidade.
607 a Assim, pode-se considerar que a alma teria sido o princípio inteligente dos seres inferiores da Criação?
– Não dissemos que tudo se encadeia na natureza e tende à unidade? É nesses seres, que estais longe de conhecer inteiramente, que o princípio inteligente se elabora, individualiza-se pouco a pouco e ensaia para a vida, como já dissemos. É, de algum modo, um trabalho preparatório, como a germinação, em que o princípio inteligente sofre uma transformação e torna-se Espírito. É então que começa o período da humanização e com ela a consciência de seu futuro, a distinção entre o bem e o mal e a responsabilidade de seus atos. Assim como depois da infância vem a adolescência, depois a juventude e, enfim, a idade adulta. Não há, além disso, nessa origem nada que deva humilhar o homem. Será que os grandes gênios se sentirão humilhados por terem sido fetos em formação no seio de sua mãe? Se alguma coisa deve humilhá-lo é sua inferioridade perante Deus e sua impotência para sondar a profundidade dos seus desígnios e a sabedoria das leis que regem a harmonia do universo. Reconhecei a grandeza de Deus nessa harmonia admirável que faz com que tudo seja solidário na natureza. Acreditar que Deus pudesse fazer alguma coisa sem objetivo e ter criado seres inteligentes sem futuro seria blasfemar contra sua bondade, que se estende sobre todas as suas criaturas.
607 b Esse período de humanização começa na nossa Terra?
– A Terra não é o ponto de partida da primeira encarnação humana; o período de humanização começa, em geral, nos mundos ainda mais inferiores; entretanto, essa não é uma regra geral, e poderia acontecer que um Espírito, desde o começo de sua humanização, estivesse apto a viver na Terra. Esse caso não é freqüente; é, antes, uma exceção.
608 O Espírito do homem, após a morte, tem consciência das existências anteriores ao seu período de humanidade?
– Não, porque não é nesse período que se inicia para ele sua vida de Espírito e é até mesmo difícil se lembrar de suas primeiras existências como homem, assim como o homem não se lembra mais dos primeiros tempos de sua infância e ainda menos do tempo que passou no seio de sua mãe. É por isso que os Espíritos dizem que não sabem como começaram. (Veja a questão 78.)
609 O Espírito, entrando no período de humanidade, conserva traços do que foi antes, do período que se poderia chamar pré-humano?
– Depende da distância que separa os dois períodos e o progresso realizado. Durante algumas gerações, pode ter sinais mais ou menos pronunciados do estado primitivo, porque nada na natureza se faz por transição brusca, sempre há anéis que ligam as extremidades das cadeias dos seres e acontecimentos; mas esses traços se apagam com o desenvolvimento do livre-arbítrio. Os primeiros progressos se realizam muito lentamente, porque ainda não estão alicerçados, determinados pela vontade; mas eles seguem uma progressão mais rápida à medida que o Espírito adquire uma consciência mais perfeita de si mesmo.
610 Os Espíritos que disseram que o homem é um ser à parte na ordem da Criação estão enganados?
– Não; mas a questão não foi explicada e, aliás, há coisas que só a seu tempo podem ser esclarecidas. O homem é, de fato, um ser à parte, uma vez que tem faculdades que o distinguem de todos os outros e tem outra destinação. A espécie humana é a que Deus escolheu para a encarnação dos seres que podem conhecê-lo.
FONTE VIVA - 140-APÓS JESUS
E, quando o iam levando, tomaram um certo Simão, cireneu, que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas, para que a levasse após Jesus," - LUCAS, 23:26
A multidão que rodeava o Mestre, no dia supremo, era enorme.
Achavam-se ali os gozadores impenitentes do mundo, os campeões da usura, os escarnecedores, os ignorantes, os espíritos fracos que reconheciam a superioridade do Cristo e temiam anunciar as próprias convicções, os amigos vacilantes do Evangelho, as testemunhas acovardadas, os beneficiados pelo Divino Médico, que se ocultavam, medrosos, com receio de sacrifícios...
Mas um estrangeiro, instado pelo povo, aceitou o madeiro, embora constrangido, e seguiu carregando-o, após Jesus.
A lição, entretanto, seria legada aos séculos do futuro...
O mundo ainda é uma Jerusalém enorme, congregando criaturas dos mais variados matizes, mas se te aproximas do Evangelho, com sinceridade e fervor, colocam-te a cruz sobre o coração.
Daí em diante, serás compelido às maiores demonstrações de renúncia, raros te observarão o cansaço e a angustia e, não obstante a tua condição de servidor, com os mesmos problemas dos outros, exigir-te-ão espetáculos de humildade e resistência, heroísmo e lealdade ao bem.
Sofre e trabalha de olhos voltados para a Divina Luz.
Do Alto descerão para o teu espírito as torrentes invisíveis das fontes celestes, e vencerás com valorosidade.
Por enquanto, a cruz ainda é o sinal dos aprendizes fiéis.
Se não tens contigo as marcas do testemunho pela responsabilidade, pelo trabalho, pelo sacrifício ou pelo aprimoramento íntimo, é possível que ames profundamente o Mestre, mas é quase certo que ainda não te colocaste, junto dele, na jornada redentora.
Abençoemos, pois, a nossa cruz e sigamo-lo destemerosos, buscando a vitória do amor e a ressurreição eterna
O LIVRO DOS MÉDIUNS - Capítulo XXVII: Contradições e Mistificações – Das Contradições
300 Para que serve o ensinamento dos Espíritos, perguntarão algumas pessoas, se não oferece mais certeza do que o ensinamento humano? A resposta é fácil. Nós não aceitamos com a mesma confiança o ensinamento de todos os homens, e entre duas doutrinas damos preferência àquela cujo autor nos parece ser o mais esclarecido, o mais capaz, o mais judicioso e o menos acessível às paixões; é preciso agir da mesma forma com os Espíritos. Se entre eles há alguns que não estão acima da humanidade, há muitos que a ultrapassam, e estes podem nos dar instruções que procuraríamos em vão nos homens mais instruídos. É a fim de distingui-los da multidão de Espíritos inferiores que é preciso se dedicar, se quisermos nos esclarecer, e é para essa distinção que conduz o conhecimento aprofundado do Espiritismo. Porém, até mesmo essas instruções têm um limite, e, se não é dado aos Espíritos tudo saber, com mais forte razão o mesmo acontece com os homens. Há, portanto, coisas sobre as quais nós os interrogaríamos em vão, seja porque lhes é proibido revelá-las, seja porque as ignoram, podendo somente nos dar sua opinião pessoal sobre elas; acontece que são essas opiniões pessoais que os Espíritos orgulhosos propõem como verdades absolutas. É, principalmente, em relação ao que deve ficar oculto, como o futuro e o princípio das coisas, que eles insistem mais, a fim de fazerem crer que estão de posse dos segredos de Deus; é justamente sobre esses pontos que há mais contradições (Veja capítulo anterior).
301 Eis as respostas dos Espíritos às perguntas relativas às contradições:
1. O mesmo Espírito que se comunica com dois Centros diferentes pode lhes transmitir, sobre o mesmo assunto, respostas contraditórias?
“Se os dois Centros diferem entre si em opiniões e em pensamentos, a resposta poderá ser diferente, porque eles estão sob a influência de diferentes grupos de Espíritos; não é a resposta que é contraditória, mas a maneira pela qual é dada.”
2. Concebe-se que uma resposta possa ser alterada; mas, quando as qualidades do médium excluem toda idéia de má influência, como podemos entender que os Espíritos superiores tenham linguagem diferente e contraditória sobre o mesmo assunto, com pessoas perfeitamente sérias?
“Os Espíritos realmente superiores nunca se contradizem, e sua linguagem é sempre a mesma com as mesmas pessoas. Por vezes, pode ser diferente, de acordo com as pessoas e os lugares; mas é preciso prestar atenção porque a contradição, muitas vezes, é apenas aparente; está mais nas palavras do que nas idéias. Ao se refletir sobre isso, descobre- se que a idéia fundamental é a mesma. No entanto, o mesmo Espírito pode dar respostas diferentes para a mesma pergunta, de acordo com o grau de perfeição daqueles que o evocam, pois nem sempre é conveniente que todos recebam a mesma resposta, uma vez que não são igualmente avançados. É exatamente como se uma criança e um sábio te fizessem a mesma pergunta. Certamente, responderias tanto a um quanto a outro de maneira a ser compreendido e satisfazê-los; a resposta, ainda que diferente, teria o mesmo sentido.”
3. Com que objetivo os Espíritos sérios parecem aceitar de certas pessoas idéias e até mesmo preconceitos que combatem junto de outras?
“É preciso que nos tornemos compreensíveis. Se alguém tem uma convicção bem firmada sobre uma doutrina, mesmo que seja falsa, é preciso que nós o desviemos dessa convicção, mas pouco a pouco; por isso nos servimos freqüentemente de seus termos e aparentamos nos aprofundar em suas idéias, a fim de que ele não se ofusque de repente e não pare de se instruir conosco.
“Aliás, não é bom contrariar muito bruscamente os preconceitos; esse seria um meio de não ser mais ouvido; eis porque os Espíritos falam freqüentemente no sentido da opinião dos que os escutam, a fim de pouco a pouco conduzi-los à verdade. Eles adaptam sua linguagem às pessoas, como farás se fores um orador um pouco hábil; por isso não falarão a um chinês ou a um maometano do mesmo modo como falarão com um ocidental ou com um cristão, pois têm a certeza de que serão repelidos.
“Não se deve tomar por contradição o que é, freqüentemente, apenas uma parte da elaboração da verdade. Todos os Espíritos têm sua tarefa marcada por Deus; eles a cumprem nas condições que julgam convenientes para o bem daqueles que recebem suas comunicações.”
4. As contradições, mesmo aparentes, podem lançar dúvidas no Espírito de certas pessoas; qual o controle que se pode ter para conhecer a verdade?
“Para discernir o erro da verdade, é preciso aprofundar as respostas e meditar seriamente sobre elas por um bom tempo; é todo um estudo a fazer. É preciso tempo para isso, assim como para estudar todas as coisas. “Estudai, comparai, aprofundai; nós vos dizemos sem cessar que o conhecimento e a verdade têm seu preço. Como quereis chegar até a verdade, se interpretais tudo por vossas idéias estreitas, que tomais por grandes idéias? Mas não está longe o dia em que o ensinamento dos Espíritos será por toda parte uniforme, tanto nos detalhes quanto nas coisas principais. “Sua missão é destruir o erro, mas isso apenas pode vir paulatinamente.”
5. Há pessoas que não têm nem o tempo nem a aptidão necessários para um estudo sério e aprofundado e que aceitam o que lhes é ensinado sem exame. Não há, para elas, o inconveniente em abonar os erros?
“Que pratiquem o bem e não façam o mal: é o essencial; para isso, não há duas doutrinas. O bem é sempre o bem, seja o bem que fazeis em nome de Alá ou de Jeová, pois há apenas um mesmo Deus para o universo.”
6. Por que Espíritos que parecem desenvolvidos em inteligência podem ter idéias evidentemente falsas sobre certas coisas?
“Eles têm sua doutrina. Aqueles que não são avançados o suficiente e que acreditam sê-lo tomam suas idéias como verdades. É como entre vós.”
7. O que pensar das doutrinas segundo as quais um só Espírito poderia se comunicar e que esse Espírito seria Deus ou Jesus?
“O Espírito que ensina isso é um Espírito que quer dominar, e por isso quer fazer acreditar que é o único; porém, o infeliz que ousa tomar o nome de Deus expiará duramente seu orgulho. Quanto a essas doutrinas, elas refutam a si mesmas, pois estão em contradição com os fatos mais comprovados; não merecem um exame sério, porque não possuem raízes”.
“A razão vos diz que o bem procede de uma boa fonte e o mal de uma fonte má; por que quereríeis que uma boa árvore desse maus frutos? Já colhestes uva de uma macieira? A diversidade das comunicações é a prova mais patente da diversidade de sua origem. Aliás, os Espíritos que pretendem ser os únicos a se comunicar esquecem de dizer por que os outros não podem fazê-lo. Sua pretensão é a negação do que o Espiritismo tem de mais belo e mais consolador: as relações do mundo visível com o mundo invisível, dos homens com os seres que lhes são queridos e que, se não fosse assim, estariam perdidos para eles irremediavelmente. São essas relações que identificam o homem com seu futuro, que o libertam do mundo material; suprimir essas relações é mergulhá-lo de novo na dúvida que faz o seu tormento, é alimentar o seu egoísmo. Ao examinar com cuidado a doutrina desses Espíritos, reconhece-se nela, a cada passo, contradições injustificáveis, traços de sua ignorância sobre as coisas mais evidentes e, por conseguinte, sinais certos de sua inferioridade.”
O Espírito de Verdade
PÃO NOSSO - SAIBAMOS LEMBRAR
“Lembrai-vos das minhas prisões.” — Paulo. (COLOSSENSES, CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 18.)
Nas infantilidades e irreflexões costumeiras, os crentes recordam apenas a luminosa auréola dos espíritos santificados na Terra.
Supõem muitos encontrá-los, facilmente, além do túmulo, a fim de receber-lhes preciosas lembranças.
Não aguardam senão o céu, através de repouso brilhante na imensidade cósmica...
Quantos se lembrarão de Paulo tão-somente na glorificação? Entretanto, nesta observação aos colossenses, o grande apóstolo exorta os amigos a lhe rememorarem as prisões, como a dizer que os discípulos não devem cristalizar o pensamento na antevisão de facilidades celestes e, sim, refletir, seriamente, no trabalho justo pela posse do reino divino.
A conquista da espiritualidade sublimada tem igualmente os seus caminhos. É indispensável percorrê-los.
Antes de fixarmos a coroa resplandecente dos apóstolos fiéis, meditemos nos espinhos que lhes feriram a fronte.
Paulo conseguiu atingir as culminâncias, entretanto, quantos golpes de açoite, pedradas e ironias suportou, adaptando-se aos ensinamentos do Cristo, em escalando a montanha!...
— Não mires, apenas, a superioridade manifesta daqueles a quem consagras admiração e respeito. Não te esqueças de imitá-los afeiçoando-te aos serviços sacrificiais a que se devotaram para alcançar os divinos fins.
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ORAÇÃO NOSSA - Emannuel (Chico Xavier)
Senhor, ensina-nos: a orar sem esquecer o trabalho;
a dar sem olhar a quem;
a servir sem perguntar até quando;
a sofrer sem magoar seja a quem for;
a progredir sem perder a simplicidade;
a semear o bem sem pensar nos resultados;
a desculpar sem condições;
a marchar para frente sem contar os obstáculos;
a ver sem malícia;
a escutar sem corromper os assuntos;
a falar sem ferir;
a compreender o próximo sem exigir entendimento;
a respeitar os semelhantes, sem reclamar consideração;
a dar o melhor de nós, além da execução do próprio dever, sem cobrar taxa de reconhecimento.
Senhor, fortalece em nós a paciência para com as dificuldades dos outros, assim como precisamos da paciência dos outros para com as nossas próprias dificuldades.
Ajuda-nos para que a ninguém façamos aquilo que não desejamos para nós.
Auxilia-nos, sobretudo, a reconhecer que a nossa felicidade mais alta será invariavelmente, aquela de cumprir-te os desígnios onde e como queiras, hoje agora e sempre.
a dar sem olhar a quem;
a servir sem perguntar até quando;
a sofrer sem magoar seja a quem for;
a progredir sem perder a simplicidade;
a semear o bem sem pensar nos resultados;
a desculpar sem condições;
a marchar para frente sem contar os obstáculos;
a ver sem malícia;
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a compreender o próximo sem exigir entendimento;
a respeitar os semelhantes, sem reclamar consideração;
a dar o melhor de nós, além da execução do próprio dever, sem cobrar taxa de reconhecimento.
Senhor, fortalece em nós a paciência para com as dificuldades dos outros, assim como precisamos da paciência dos outros para com as nossas próprias dificuldades.
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